O espetáculo que o Catar vem oferecendo ao mundo não se limita ao tempo de jogo ou às festas até carnavalesca das torcidas – mas até remete aos velhos tempos do cinema, a uma superprodução de Hollywood para encantar (ou enganar) meio mundo. Nas transmissões pela TV, temos hoje um show de imagens áreas, mostrando as torcidas do alto e do solo, jogadores fazendo cara feia ao perder um lance e os sorridentes ao levar a melhor ao driblar um adversário – mesmo não sendo o drible da vaca…
Para quem não é das antigas: o tal drible ocorre quando o jogador dribla o seu adversário tocando a bola por um lado e passando por ele pelo outro. Assim, perdido, o adversário fica sem saber se vai atrás da bola que passa por um lado ou persegue o adversário, que optou pelo outro.
A outra face da(s) moeda(s)
Sem desmerecer o futuro campeão do mundo (será que vai dar Brasil? – vamos bater 3 vezes na madeira!), vale conhecer o outro lado da moeda – ou melhor, no caso, as outras faces da(s) moeda(s).
HAJA PETRODÓLAR – com este título, temos o texto de Carolina Gama, na revista Seu Dinheiro, edição de 20 de novembro.
– A Copa mais cara de todos os tempos vai começar! Mundial no Catar tem custo astronômico e desbanca o Brasil com gasto 15 vezes maior. Até então, a Copa de 2014 realizada no Brasil era considerada a mais cara de todos os tempos, com valor de US$ 15 bilhões, mas o país do tamanho do estado de Sergipe deixou essa marca no chinelo…
– Toda essa riqueza poderá ser vista a partir do dia 20 de novembro, quando começa a Copa do Mundo mais cara da história e a primeira a ser realizada no Oriente Médio. Para sediar o torneio, o Catar gastou astronômicos US$ 220 bilhões (R$ 1,2 trilhão) em infraestrutura e outros projetos de desenvolvimento, de acordo com declarações oficiais e um relatório da Deloitte.
Tio Sam atua pela expansão militar
Ainda da revista: Catar é um pequeno país na ponta leste da Península Arábica que se projeta para o Golfo Pérsico. Mas não se deixe enganar pelo tamanho: seus 2,9 milhões de habitantes desfrutam de enormes riquezas graças a uma das maiores reservas de gás natural do planeta. Além do gás, o petróleo ajudou o país com as dimensões de Sergipe, o menor estado brasileiro, a ser rico e estratégico.
– Hoje, o Catar é um centro de trânsito internacional, com uma companhia aérea nacional lucrativa e uma força por trás da influente rede de notícias Al Jazeera – além disso, o governo está pagando até mesmo pela expansão da maior base militar dos EUA no Oriente Médio.
– Toda essa riqueza poderá ser vista a partir do dia 20 de novembro, quando começa a Copa do Mundo mais cara da história e a primeira a ser realizada no Oriente Médio. Bilhões também foram destinados para construção de metrô, um novo aeroporto e estradas para os jogos.
Gigantes reservas de gás natural
Ainda do texto da revista: enquanto grande parte do mundo luta contra a recessão e a inflação, o Catar e outros produtores de energia do Golfo Árabe estão colhendo os benefícios dos altos preços da energia. O país da ponta leste da Península Arábica se projeta para o Golfo Pérsico. Ali fica o Campo Norte, o maior campo de gás subaquático do mundo, que o Catar compartilha com o Irã. O local guarda cerca de 10% das reservas conhecidas de gás natural do mundo.
A tabela abaixo mostra as Copas mais caras até agora:
País – Ano – Valor
Catar 2022 – US$ 220 bilhões
Brasil 2014 – US$ 15 bilhões
Rússia 2018 – US$ 11,6 bilhões
Japão 2002 – US$ 7 bilhões
Alemanha 2006 – US$ 4,3 bilhões
África do Sul 2010 – US$ 3,6 bilhões
França 1998 – US$ 2,3 bilhões
Estádio vai virar hotel 5 estrelas
Ainda da revista: Grande parte dos custos atribuídos à Copa do Mundo do Catar faz parte de um plano mais amplo do governo para se consolidar como um país turístico — a exemplo do Estádio Al Bayt, que terá a sua parte superior convertida em um hotel 5 estrelas e Shopping Center após a realização do torneio.
Além disso, uma pequena parte dos US$ 220 bilhões gastos com o mundial deve voltar aos cofres do governo do Catar. Segundo a Capital Economics, “as vendas de ingressos sugerem que cerca de 1,5 milhão de turistas visitarão o país para a Copa do Mundo. Cálculos da consultoria britânica indicam ainda que se cada visitante ficar 10 dias no país e gastar US$ 500 por dia, o gasto por visitante seria de US$ 5.000 — ou um impulso de US$ 7,5 bilhões para a economia do Catar este ano”.
A Capital Economics lembra, no entanto, que “alguns torcedores podem voar apenas para as partidas enquanto ficam nas proximidades de Dubai e em outras regiões próximas”.
Coisas bem deles, até para casados
– O Catar é o lar de cerca de 2,9 milhões de pessoas, mas uma pequena fração – cerca de um em cada 10 – são cidadãos do Catar. E, como outros petro/estados ricos do Golfo, não é uma democracia. As decisões são tomadas pela família governante Al Thani e seus conselheiros escolhidos. Os cidadãos têm pouco a dizer nas principais decisões políticas do país. O governo, no entanto, oferece aos cidadãos vantagens que ajudaram a garantir lealdade e apoio contínuos:
– Rendimentos isentos de impostos; empregos públicos bem remunerados; assistência médica e ensino superior gratuito; ajuda financeira para recém-casados; apoio à moradia; subsídios generosos que cobrem contas de serviços públicos; benefícios de aposentadoria de luxo.
Mão de obra alheia
Apesar disso tudo, o Catar depende de trabalhadores de outros países para preencher empregos no setor de serviços, como motoristas e babás, e para fazer o trabalho mais duro — como na construção que levantou o Catar moderno.
Apito final – aqui…
– Se o time vence. (“Eu venci”). Se o time empata; (“Nós empatamos”). Se o time perde: (“Eles perderam” – os jogadores)
Vanderlei Luxemburgo
O drible da vaca. Quem inventou esse drible foi Eduardo Amorim, jogador do Cruzeiro e do Corinthians nas décadas de 70 e 80.
PS: no mais, no país da gripezinha, é bola pro/mato que o jogo é de campeonato…

