O fim do governo Jair Bolsonaro (PL) está deixando as universidades federais brasileiras numa situação ainda mais grave do que no restante do mandato do atual presidente. A gestão de Bolsonaro, marcada por conflitos com as instituições de ensino superior, consideradas pelo presidente na melhor das hipóteses como irrelevantes e em alguns momentos como verdadeiras inimigas, colocou agora os reitores em situação de calote.
Assim como já havia feito nos demais anos, o governo determinou o contingenciamento das verbas há um mês do fim do ano fiscal. Depois, vendo que não havia base jurídica para isso, encerrou o contingenciamento – mas no mesmo dia determinou que o dinheiro que havia nas contas das universidades fosse confiscado imediatamente.
Ou s1eja: ao invés de uma proibição de gastar o dinheiro, o que se fez dessa vez foi mais drástico, o puro e simples saque da verba. Pilhagem que deixou as universidades sem ter como pagar até mesmo aquilo que já havia sido empenhado. Além disso, os reitores não terão, nas próximas quatro semanas, como quitar as contas de novembro e dezembro.
Todos os terceirizados, as contas de água, luz, Internet, todos os gastos com custeio ficarão sem pagamento. Apenas os salários dos professores e servidores, que são pagos diretamente pelo MEC, estão garantidos.
É o último ataque de um governo que sempre foi contra a ciência e a educação superior. Dentro de quatro semanas, com a posse de um novo governo, imagina-se que a situação deve ser resolvida, mas certamente não será fácil desfazer o estrago que a atual administração está deixando.

