Eleições – e o outro lado da(s) moeda(s) 

Em 1972, Watergate levou o presidente Nixon à renúncia; hoje, no Brasil, o caso da vacina Covaxin já está sendo chamado de Covaxgate...

Por conta do jornalismo (de fato) plural, na semana retrasada a revista Carta Capital não deixou por menos com a matéria de capa “TRAGÉDIA – os timoneiros presentes somente na memória, o Brasil vai a pique”. Entre os timoneiros, uma foto de Leonel de Moura Brizola (1922-2004). Engenheiro civil e político, um líder trabalhista, foi governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, sendo o único político eleito pelo povo para governar dois estados diferentes em toda a história do país. 

A matéria, assinada por Luiz Gonzaga Belluzzo, destaca, com o título A república dos bárbaros: no Brasil de hoje, as liberdades e garantias republicanas recuam da “liberdade” que reivindica a opressão do outros: 

– A metafísica antissocial do homem de bem está na figura do senhor dos escravos, incumbido pela natureza de discernir entre o justo e o injusto, o certo e o errado. 

Os donos da grana e da opinião 

Na semana passada, a Carta Capital, estampando na capa uma foto de Lula, é fulminante: LULA VS. MERCADO – Os donos do dinheiro e da opinião tentam enquadrar o ex-presidente, que resiste. O texto é de Mino Carta, sempre fulminante: é necessário um líder de uma reviravolta na nossa história, para enfrentar os verdadeiros problemas que assolam o país, caldo de cultura do bolsonarismo. 

E, do Jair, ainda temos algo totalmente previsível: a imposição do sigilo de 100 anos no acesso às informações do governo, incluindo as visitas que ele recebe no Palácio do Planalto, a vacinação contra a gripezinha, processos e a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin ao preço total de R$ 1,6 bilhão.  

Covaxin? Ela já foi batizada de Covaxgate

Ainda dele, o da gripezinha: 

– Começa a virar um inferno a minha vida. Então o sigilo é em função disso, a minha privacidade, como todo mundo tem. Isso é democracia, isso é liberdade… 

E vale lembrar: 

– O que destrói o ser humano? Política sem princípios, prazer sem compromissos, riqueza sem trabalho, sabedoria sem caráter, negócios sem moral, ciência sem humanidade e oração sem caridade. 
 Mahatma Gandhi 

– Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive para a política ou se vive ‘da‘ política. Nessa oposição não há nada de exclusivo. Muito ao contrário, em geral se fazem uma e outra coisa ao mesmo tempo, tanto idealmente quanto na prática.
Max Weber 

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