Mais uma vez a Prefeitura de Curitiba confunde arte com propaganda. A Secretaria Municipal de Urbanismo multou como publicidade irregular a placa de bronze em homenagem, à travesti Gilda colocada no ano passado em plena Boca Maldita. A obra, do artista Guilherme Jaccon, foi premiada no 67º Salão Paranaense.
A multa de R$ 657 foi aplicada inicialmente em outubro do ano passado. Guilherme, em parceria com o Museu de Arte Contemporânea, que detém a posse da obra, recorreu utilizando os mecanismos da burocracia. Explicou que a placa não é, nem de longe, publicitária. Trata-se de uma celebração de uma das personagens mais icônicas da Rua XV, a travesti Gilda, que durante muitos anos passou parte de seus dias no local.

Nesta terça (18), Guilherme foi informado pelos meios virtuais que seu recurso não foi aceito e que a multa precisa ser paga. A história é curiosamente parecida com o infame caso da perseguição dos fiscais da burocracia ao painel de Jack Nicholson no centro da cidade. No caso do mural, que retratava o personagem do filme “O Iluminado”, a pressão da prefeitura levou o prédio onde ficava a obra a apagar a pintura, por medo de novas multas.
Quando estourou o caso do mural, que ficava nas proximidades da Praça Santos Andrade, Rafael Greca (PSD)( disse que tudo não passou de um mal entendido, de uma falha de comunicação. Mas aparentemente a prática continua se repetindo, e agora com ares de transfobia.

Jaccon disse ao Plural que o Museu de Arte Contemporânea, que conseguiu todas as liberações para a instalação da placa, tem sido um parceiro do projeto e lutado para a permanência da obra na Boca Maldita. “Quando a Gilda morreu, nos anos 80, uma placa foi colocada ali e acabou arrancada”, conta ele, triste pela repetição da ação contra a memória da travesti.
“O Ippuc tem sido receptivo e conversou conosco. Acho que o problema está mesmo na falta de conversa entre os órgãos da Prefeitura, porque o Urbanismo continua insistindo na multa”, afirma ele.


A alguns anos atrás recebi um vídeo com a história da Gilda, eu era criança na época dela. Uma homenagem que deveria ser autorizada, meu falecido tio contou vários causos com ela… “Ou dava um cigarro ou um beijo…” Um tempo bom, e história deve ser preservada.
Infelizmente temos um edil sem a menor consciência cultural ou que proteja locais históricos…Deixar burocratas que certamente nunca ouviram falar na Gilda devido a falta de conhecimento é imperdoável…da mesma forma que autorizar a demolição do antigo hospital Bom Retiro…esse é o maquiador de ruas que Infelizmente foi eleito para cuidar de Curitiba…
Famosa Gilda, tenho muitas lembranças dela na Boca Maldita. Merece que a placa continue lá. Ela faz parte de nossa lembrança. O local ficou triste depois que ela virou uma estrelinha no céu. Deixem a homenagem, porque fazia parte do nosso cotidiano.
Surreal! O que está acontecendo? Não é possível!!!!!!
É inacreditável!! E isso acontece na cidade que tem um prefeito que já foi ministro da Cultura.
O que esperar de Rafael Greca, um narcisista, um prepotente, com certeza se fosse uma placa em sua homenagem seria celebrada.
E se o prefeito fosse gay?
Nosso prefeito, ex-ministro da Cultura, continua com sua gestão profilática. A pintura do Iluminado, a reforma do Teatro Paiol, a falta de apoio ao Festival de Teatro de Curitiba, a placa em homenagem à Gilda.
Tribunal de Contas fazendo homenagens, Câmara Municipal dando título à um louco, Legislativo estadual criando mais cargos comissionados. É o dinheiro dos nossos impostos sendo gastos erroneamente.
Na Curitiba de olavo de carvalho nao poderia ser diferente.