Em delegacia, segurança do Atacadão nega racismo

Mulher negra diz ter sido seguida dentro da loja por segurança; caso ficou conhecido porque vítima protestou fazendo compras só de calcinha e sutiã

A Polícia Civil ouviu o segurança do Atacadão suspeito de seguir uma mulher negra dentro da loja do grupo no bairro Guaíra, em Curitiba. O funcionário, que foi chamado a depor depois de uma denúncia de racismo, negou que tenha feito qualquer abordagem indevida, seguindo a mesma linha do mercado, que em nota disse não ter ocorrido nada de errado na loja.

O caso ficou conhecido depois que Isabel Oliveira, a mulher que denunciou o episódio, voltou ao mercado e fez suas compras apenas de calcinha e sutiã, para mostrar que não estava tentando roubar nada e que não era uma ameaça. A história de Isabel correu o país e a professora recebeu solidariedade até mesmo do presidente Lula (PT).

Segundo a delegada Camila Cecconello, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa Humana, o segurança ouvido negou as acusações e disse só ter se dado conta da presença de Isabel quando ela foi falar com ele, se dizendo incomodada por estar sendo seguida.

O fato de pessoas negras serem seguidas por seguranças em estabelecimentos comerciais é considerado um clássico caso de racismo velado – apenas pela cor da pele da pessoa, supõe-se que ela esteja mais propensa a cometer crime. Isabel, militante do movimento negro, diz que fez seu protesto e levou o caso à polícia para que esse tipo de atitude racista deixe de ser visto como algo tolerável

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