Há meio século, mesquita une xiitas e sunitas em Curitiba

Comunidade mulçumana de Curitiba tem cerca de 5 mil membros e é uma das maiores do Estado

A comunidade muçulmana tem cerca de 5 mil membros em Curitiba e boa parte deles frequenta a Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib, que fica no São Francisco. O templo foi construído há 50 anos e recebe 30 mil visitantes anualmente, de acordo com a Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná (SBMP).

A Mesquita foi construída por imigrantes árabes que chegaram à Curitiba entre os anos 50 e 60. Em 1972 a Mesquita ficou pronta e serve de ponto de encontro para os praticantes do Islã. Uma peculiaridade da Mesquita de Curitiba é que é uma das raras mesquitas xiitas no Brasil.

Um dos frequentadores que cresceu entre as paredes do templo é Gamal Oumairi, diretor religioso da SBMP. Filho de libaneses que chegaram ao Brasil ainda na adolescência, Oumairi é curitibano daqueles que falam “leite quente”, e, na mesma proporção, mantém suas raízes árabes do Islã.

“[Os imigrantes muçulmanos] sentiram necessidade de ter um espaço específico para os cultos, para adoração a Deus. Então partiu daí a ideia da construção da Mesquita que hoje vocês visitam. Ela já sofreu várias reformas né com a última foi a colocação dos azulejos que vieram do Irã e foram doados a essa Mesquita”, conta.

Mulheres

Além dos azulejos, há tapetes persas na Mesquita, já que os fiéis fazem as orações de forma prostrada. Em uma área separada, está o espaço destinado às mulheres. O Islã é rígido no que tange a interações entre homens e mulheres que não são da mesma família. Durante a oração, feita com a cabeça tocando o chão, a posição do corpo pode causar desconforto entre homens e mulheres, por isso há espaços separados.

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“A mulher não é necessariamente obrigada a vir fazer as orações (são cinco diárias) na Mesquita. Ela pode fazer de casa. Muita gente vai dizer que é [o Islã] é uma religião machista, mas não. Quando a mulher vem à Mesquita precisa usar roupas largas, e cobrir os cabelos porque o corpo dela é um templo de Deus”, explica a guia de turismo Ana Cláudia da Silva Oliveira de Alves, que é de Curitiba, mas morou no Egito, onde se apaixonou pela cultura muçulmana.

área interna da Mesquita
Visitação é aberta para quem não é mulçumano | Foto: Tami Taketani/Plural.

Além do espaço e das vestes, homens e mulheres não podem tocar pessoas que não sejam parentes de primeiro grau ou cônjuges do sexo oposto.

Na ocasião da visita, Oumairi e diversos outros homens muçulmanos que estavam na Mesquita falaram com as repórteres do Plural, mas não houve nenhum cumprimento próximo.

Xiitas x Sunitas

Sunitas: corrente dominante do islamismo, o nome deriva de Suna, livro biográfico com os ensinamentos do profeta Maomé e considerado a segunda fonte da lei islâmica após o Alcorão. Para os sunitas, não é preciso descender de Maomé para ser um califa.

Xiitas: Representam cerca de 10% dos muçulmanos e seguem princípios mais rígidos e acreditam que apenas os líderes descendentes da família de Maomé são aprovados por Alá e, portanto, têm capacidade de tomar as decisões mais acertadas.

Mesquita de Curitiba

A Mesquita tem um belo Jardim no fundo e também uma capela mortuária, já que muçulmanos falecidos precisam ser sepultados conforme orienta o Alcorão.

Dentro do templo há livros que explicam mais sobre a religião. A maioria é traduzida para a língua portuguesa, mas há exemplares no idioma árabe original.

No anexo há uma loja com itens decorativos de mais de dez países. Lenços, bolsas, louça, incensos. Todos os produtos são importados de países como Paquistão, Síria e Irã, doados pelos frequentadores do templo.

Aos sábados há aulas de religião e de árabe gratuitamente na sede da SBMP. As atividades são abertas a todo público, inclusive de outras religiões. É preciso consultar a disponibilidade por meio do telefone 41) 3223-3134.

Visitas

A Mesquita é aberta para visitação todos os dias. De segunda-feira a sábado o horário de funcionamento é das 9h ao meio-dia. Aos domingos das 10h às 14h.

Mulheres recebem uma capa ou, se estiverem com roupas mais fechadas, o hijab para cobrir os cabelos. Todas as pessoas entram descalças na Mesquita e é permitido fazer fotos. Não há custos para conhecer o templo.

O movimento cresce principalmente no domingo, em virtude da Feira do Largo da Ordem, que atrai visitantes para a região. De acordo com a guia Ana Cláudia, sexta-feira é um dia interessante para visitar a Mesquita porque é quando ocorre a Grande Oração.

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É permitido que pessoas de outras religiões acompanhem o momento, seguindo as orientações de separação entre homens e mulheres e as vestimentas.

A Grande Oração é feita no mesmo horário em todas as Mesquitas do mundo. Em países árabes a sexta-feira pode ser comparada ao domingo nos países cristãos. Muitos estabelecimentos não abrem para que os muçulmanos possam ir às Mesquitas participar da Grande Oração, cujo horário varia de acordo com o calendário lunar, mas geralmente ocorre perto do meio-dia.

Serviço:

Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib

Rua Kellers, 383 – São Francisco, Curitiba.

Telefone: (41) 3222-4515

Horário de funcionamento: segunda a sábado 9h às 12h; domingo das 10h às 14h.

Conheça a Mesquita Imam Ali ibn Abi Tálib em Curitiba – YouTube

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