Bolsonaro usa voto impresso para se fazer de vítima do sistema e desviar o foco, diz Aliel

Em entrevista a Rogério Galindo, o deputado disse que Bolsonaro não tem força para golpe que discurso por voto impresso é estratégia de campanha

O deputado federal Aliel Machado (PSB-PR) fez uma análise, em entrevista ao Plural nesta segunda-feira (9), das ameaças e tensionamentos feitos pelo governo Bolsonaro. Na visão do parlamentar, o Planalto não tem interesse em, de fato, aprovar o voto impresso. O que se busca desacreditando o processo eleitoral brasileiro e inflamando a militância bolsonarista é, na verdade, construir argumentos eleitorais para Bolsonaro. 

“Se o governo quisesse aprovar a matéria não viria com um texto tão radical na Comissão Especial, impossível de ser executado […] esse texto não é de quem gostaria de construir mais segurança, é um texto para discursar para seus militantes”, disse o deputado. 

“O governo quer dizer que foi derrotado pelo sistema e fazer como sempre faz: se fazer de vítima. Enquanto o país está afundando com números graves, enquanto não tem governo para resolver os problemas sérios, eles desviam o foco. A CPI está com menos enfoque que falar em voto em papel”, avalia. 

Aliel diz que desde que votou contra a proposta na Comissão Especial, na semana passada, ainda que diante de um texto inexequível apresentado de última hora pelo relator – o também paranaense Filipe Barros (PSL) – tem sofrido fortes ataques partidos de apoiadores de Bolsonaro.

Questionado por Rogério Galindo se há clima para um golpe em Brasília, Aliel afirmou que se o presidente pudesse dar um golpe, já teria dado. “Ele desde o início flerta com isso, mas não tem força para fazê-lo […] Tem vontade, late, late, late, mas não tem dente para ferir”, diz. 

Paraná

Sobre as possibilidades políticas do PSB no Paraná, o deputado Aliel disse que o partido está construindo diálogos e ainda não tem definição sobre as alianças que fará. 

“O PSB vem conversando, o governador Ratinho Junior nos procurou para uma conversa para discutir o cenário e o que está acontecendo. Eu confesso não ter nenhum problema pessoal, mas estou muito focado na pauta de Brasília”, disse.

Sobre a possibilidade de o partido receber a filiação de Roberto Requião – hipótese que desagrada os deputados estaduais – Aliel disse que o ex-governador é uma grande liderança e seria relevante para a construção de um processo coletivo no partido, independente de personalismos. 

Assista à integra da entrevista

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