Ópera “Anjo Negro” é montada pela primeira vez no Paraná

Estreia no Guairão a montagem dirigida por Jul Leardini da obra composta por João Guilherme Ripper, a partir da peça de Nelson Rodrigues

“Anjo Negro”, ópera composta pelo maestro João Guilherme Ripper, baseada na peça de Nelson Rodrigues, ganha montagem inédita no Paraná. Com direção de Jul Leardini e produção de Jewan Antunes, o espetáculo faz três apresentações, de 29 a 31 de agosto, no Teatro Guaíra. Os protagonistas são interpretados pelo cantor do Teatro Municipal de São Paulo, David Marcondes, e pela cantora da Camerata Antiqua de Curitiba, Luciana Melamed. A equipe soma mais de 100 profissionais, com destaque para a participação da Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná, regida pelo maestro Felipe Biesek.

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Por que Nelson Rodrigues?

Escrita em 1946 por Nelson Rodrigues, a peça de teatro “Anjo Negro” narra a história de Ismael, médico negro que mantém Virgínia, sua esposa branca, confinada. No enredo, os três filhos do casal são mortos pela mãe, por serem negros como o pai e, depois, a história dá um salto de 15 anos para mostrar Ana Maria, branca e cega, apaixonada por Ismael, que acredita ser seu pai e também o único homem branco do mundo.

A escolha por levar especificamente esta obra aos palcos foi devido ao conteúdo. Segundo Jul Leardini, que também assina o cenário criado para a montagem com projeções mapeadas em 3D, o enredo reflete o mundo atual – especialmente o Brasil, com seus conflitos sociais – o que possibilita a reflexão sobre o comportamento humano. “É uma obra que coloca o mundo dentro de uma pequena comunidade e relata os horrores que existem dentro de cada ser humano, que precisam ser revisitados com olhar crítico para que haja uma transformação urgente”, diz ele.

Escolhas estéticas

Para aprofundar o que o texto e a música da ópera sugerem, a escolha do diretor foi trabalhar com uma estética expressionista, que parte dos preceitos desse movimento que renovou as artes. Em especial, o diretor destaca o diálogo estabelecido com o filme alemão “O Gabinete do Doutor Galigari” (1920), de Robert Wiene. “A obra é densa, contundente e crítica, necessita de uma instrumentação à altura, ou seja, os instrumentos musicais gritam, berram, chocam-se, rasgam nossos sentidos para entrarmos nas profundezas psicológicas dos personagens”, explica Leardini. 

Músicos e cantores

Segundo o diretor, a obra composta por João Guilherme Ripper, é uma ópera moderna, contudo de execução extremamente difícil e complexa, até mesmo porque pede o Bel Canto (técnica de canto italiana, que envolve controle de longa extensão vocal). Isso exige cantores com bastante experiência. 

Para enfrentar esses desafios, contar com a Orquestra Filarmônica da UFPR é fundamental. “Eu sempre busco trabalhar com a juventude; ela é o futuro e precisamos estabelecer um relacionamento humano e artístico com estes jovens muito talentosos, trocando experiências, nos enriquecendo mutuamente com a arte, a música e a cultura”, fala Leardini afirmando que está muito feliz pela parceria.   

Ópera “Anjo Negro”

Nos dias 29, 30 e 31 de agosto, às 20h, no Teatro Guaíra – Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto  – Guairão, Rua Conselheiro Laurindo, s/n, entrada em frente à Praça Santos Andrade – Centro). Ingressos à venda a partir de R$ 20 (meia), pelo site Disk Ingressos. Classificação: 16 anos

A ópera “Anjo Negro” é um projeto aprovado pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Profice), da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná, com incentivo da Copel.

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