Mais que conteúdo: a escola como lugar de socialização e desenvolvimento

No Colégio Medianeira, crianças têm contato com diferentes modos de pensar e agir desde os primeiros anos escolares

Que nas escolas as crianças e os adolescentes aprendem a dominar conteúdos curriculares de diversas áreas do conhecimento como artes, ciência, matemática e língua portuguesa, todos já sabem. Mas, mais do que isso, as escolas são (ou pelo menos deveriam ser) espaços plurais onde os estudantes têm a oportunidade de conviver e trocar experiências com pessoas diversas e realidades que, muitas vezes, são desconhecidas a eles.

A professora do Departamento de Planejamento e Administração Escolar do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Andréa Bezerra Cordeiro, defende que a escola garante o direito da criança de socializar e ampliar o campo de pessoas com quem ela interage.

“Na escola, a criança tem a possibilidade de conviver com pessoas que têm uma família diferente da dela, que têm um jeito de ver e refletir sobre o mundo diferente do dela, que encontra soluções para os problemas por um outro caminho. Esse tipo de ampliação do universo social é muito importante para as capacidades emocionais e cognitivas da criança.”

Na visão da educadora, o grande benefício da interação proporcionada pelo ambiente escolar é a abertura à diversidade. Segundo Andréa, um dos objetivos da escola é justamente fazer com que crianças de diferentes condições sociais, religiões e etnias possam conviver em um espaço em que tenham os mesmos direitos. “Quando a criança vê como o outro pensa, chega a saídas e soluções, quando ela tem que confrontar os seus caminhos e desejos com os de outros, ela se capacita para crescer e ser um adulto que vai conseguir enxergar o mundo com um pouco mais de flexibilidade e empatia.”

Andréa ainda destaca que esse processo de socialização é oportuno não apenas a crianças e adolescentes, mas à sociedade como um todo. “A gente está precisando reaprender a conviver com a diferença. Antes de nos protegermos em nossas bolhas, deveríamos tentar arejar um pouco nossos contatos e nossas vivências porque é com o outro que a gente cresce e aprende.”

Construção de personalidade

Foto: Reprodução/Facebook Colégio Medianeira

No Colégio Medianeira, que atua há 65 anos em Curitiba, as crianças passam a conhecer novas culturas e formas de pensamento diferentes desde o início da caminhada escolar, que pode ser já aos dois anos de idade.  

“Faz parte da fundação do Medianeira o desenvolvimento do pensamento crítico e o desejo de conhecer o outro para que a partir do outro a criança também se conheça. Ela só vai conseguir se entender quando conhecer o diferente. E o colégio proporciona isso por meio de um ambiente plural”, afirma o orientador de Pastoral da Educação Infantil da instituição, Luiz Felipe da Silva. 

Luiz conta que, além de ter um currículo voltado à diversidade, o colégio também desenvolve atividades com o objetivo de contribuir para a formação da personalidade e o fortalecimento da identidade dos estudantes, a partir de grupos como a Pastoral.

Para o orientador da Pastoral, é fundamental que os alunos tenham contato tanto com seus semelhantes, mas também com professores e funcionários do colégio, para criar vínculos. “Sem vínculo não ocorre o processo educativo. No Medianeira nós chamamos todos de educadores, porque não é apenas o professor que está educando. O contato da criança com auxiliar de limpeza, seguranças, pessoal da manutenção e educadores que cuidam da parte administrativa, por exemplo, vai influenciar no desenvolvimento social dessa criança, ajudá-la a construir um projeto de vida e situar qual é o seu lugar no mundo”, afirma.

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