É preciso ter uma mente de inverno
Para captar a geada e os galhos
Dos pinheiros encrustados de neve;
E estar ao relento há muito tempo
para ver os zimbros eriçados de gelo,
Os abetos ásperos no fulgor longínquo
Do sol de janeiro; e não pensar
Em nenhum pesar no som do vento,
No som de uma ou outra folha,
Que é o som da terra
Repleta do mesmo vento
Que sopra no mesmo ermo lugar
Para alguém que ouve, na neve,
E, sendo nada, percebe
O nada que não está ali e o nada que está.
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WALLACE STEVENS (1859-1955).
“The snow man”.
De Wallace Stevens: Collected Poetry and Prose (Library of America, 1997).
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes.

