Quando uma queda vai além dos 90 minutos… 

A lamentável situação em que se encontra o Paraná Clube mexe com o torcedor em geral, até pelo histórico com os bons tempos do Trio de Ferro

Tempos bicudos, por conta do desgoverno federal, alguém ouviu um breve diálogo numa estação-tubo, à espera do vermelhão

– Coitado do Paraná Clube… Está em frangalhos. 

– Ué… Bolsonaro também assumiu a presidência do time? 

Era o segundo time de muitos torcedores quando o adversário não era o Atlético (então sem o h), é claro… E agora temos registros de uma crise que parece não ter fim. Breves exemplos: 

– Em nota, torcida organizada detona diretoria do Paraná Clube. 

Texto de Silvio Rauth Filho, publicado dia 16 próximo passado:  

Robson Mafra – Fúria Independente na Vila Capanema: furiosos. 

– A torcida organizada Fúria Independente (TFI) reagiu com indignação à entrevista coletiva da diretoria do Paraná Clube, realizada segunda-feira (dia 15). O grupo de torcedores divulgou uma nota fazendo duras críticas ao comportamento dos dirigentes e à falta de propostas para o futuro do clube. 

No texto, a TFI afirmou que a entrevista coletiva teve “muito choro”, “muita cláusula de confidencialidade” e “muita risadinha”. “Falta postura. Falta reconhecer erros. Falta bater no peito e afirmar que vai resolver o problema. Pois se está no cargo, tem que ter essa certeza ou pede pra sair fora”, diz a nota. “Entre desculpas mal dadas e alegações de desconhecimento, não foi possível enxergar qual é o plano do clube para o futuro – se é que existe um”, critica a Fúria

– O grupo não perdoou o presidente Rubens Ferreira Silva, o Rubão, que ficou um mês afastado do clube por motivo de saúde. “Escondido atrás da idade, da cirurgia e de ‘eu não tinha noção do problema’, o presidente Rubens Ferreira Silva mostra que a covardia do treinador é um reflexo deste senhor que durante o último mês se escondeu em sua casa na capital paranaense”, detona a nota. 

Ainda da nota da torcida: 

– Após uma desclassificação pífia no último final de semana, a tristeza é um sentimento aceitável. Na verdade, é impossível não se abater diante de tudo o que está acontecendo. O torcedor paranista deu um exemplo de paixão nessa Série D. Fizemos o que temos certeza que outros jamais fariam. A recompensa foi amarga. Difícil de digerir. 

– A incompetência para gerir o clube parece ser o requisito mínimo de quem assume qualquer posto por lá. É um problema herdado já dos clubes fundadores, os mesmos que não tiveram capacidade de tocar suas vidas sozinhos sem apelar para vergonhosas fusões. Mas falar do passado e ficar se lamentando não vai melhorar o nosso futuro, pelo contrário. Esse tipo de atitude é o que vem nos mantendo nessa situação ano após ano. Ao invés de olharmos para o passado e aprendermos com ele, estamos constantemente transferindo culpas e apontando dedos, mas sem tomar atitudes diferentes dos que passaram pelo mesmo caminho anteriormente. 

CHEGA! 

– Assistimos à coletiva de hoje (15/08) e não sabemos dizer se estamos com raiva ou com vergonha dos que se apresentaram para falar em nome do Paraná Clube. Muito choro. Muita cláusula de confidencialidade. Muita risadinha. Falta postura. Falta reconhecer erros. Falta bater no peito e afirmar que vai resolver o problema. Pois se está no cargo, tem que ter essa certeza ou pede pra sair fora. Não tem mais espaço pra bunda mole. Entre desculpas mal dadas e alegações de desconhecimento, não foi possível enxergar qual é o plano do clube para o futuro – se é que existe um. Nossa paciência já acabou. QUEREMOS SABER – DETALHADAMENTE – QUAIS SERÃO OS PRÓXIMOS PASSOS DA DIRETORIA.

Estamos à disposição para ajudar no que for preciso. Nosso intuito não é apenas criticar. Ao torcedor, prestem atenção: Alguns ‘paranistas’ mais antigos que viram seus clubes acabarem, podem até achar normal tudo isso, mas nós, paranistas genuínos, não aceitamos o fim do Paraná Clube. Nem hoje. Nem nunca! Tá na hora de todo mundo aprender a sofrer e ter o entendimento de que somos a RESISTÊNCIA. Talvez essa luta não seja para que nós colhamos os frutos, mas sim as futuras gerações. Trata-se de construir um clube centenário forte com DNA cascudo. Um time que não se abate e não desiste. Afinal, DESISTIR É MORRER! 

De volta aos bons tempos 

Sobre o clube da Vila Capanema, nos anos 1960 foi lançada a série Café Alvorada no Esporte. Com textos de Maurício Fruet, a publicação, ilustrada como história em quadrinhos (desenhos de um tal de Pancho), traz a história do time (também foram brindados o Atlético na época sem o h e o Coritiba) e a íntegra da ata de fundação (12 de janeiro de 1930), bem como a lista de presidentes até Ney Simas Pimpão (que acabaria reeleito) e Hipólito José Arzua (conselho diretor).  

A única competição garantida em 2023 é o Campeonato Paranaense, já na Primeira ou na Segunda Divisão. 

Uma imensa família 

O Ferroviário nasceu para congregar a família da então Rede Viação Paraná – Santa Catarina, anos mais tarde Rede Ferroviária Federal. Em reunião na residência de Ludovico Brandalize foi eleita a primeira diretoria, sendo escolhido presidente Francisco Alves Guimarães. 

Em 1937, o CAF conquistaria o primeiro título de campeão paranaense. E, no campeonato, aplicou uma tremenda goleada no Savóia, 6 a 0. O Ferroviário formou com o Coritiba e o Atlético o chamado Trio de Ferro do futebol paranaense. 

O que poucos conhecem é a letra do hino do Ferroviário. A revista traz: 

Hino do CAF

– Ferroviário eu quero, quero, quero ver 
Você brilhar 
Respeitando o adversário 
Tua equipe há de triunfar (BIS) 
O Colorado, da Vila Capanema 
Quando entra no gramado 
Sempre leva esse lema… 
De lutar pra defender 
A sua sina 
Ferroviário “Campeão da Disciplina”. 

Já o Clube Athletico Paranaense, conhecido apenas como Athletico Paranaense e cujo acrônimo é CAP, foi fundado em 26 de março de 1924, a partir da fusão do International Foot-Ball Club e do América Futebol Clube. E não se limitou aos jogos com a atual diretoria: basta ver o Centro de Treinamento do Caju, que virou um centro de referência internacional. 

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