Jornalismo de qualidade – só pode ser plural 

Para Cláudio Abramo, o jornalismo é, antes de tudo e, sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter

Não se trata de mera coincidência, mas de algo altamente lamentável no Brasil de hoje, e que já foi muito além da tal gripezinha. Na quarta-feira, ao curtir a edição do Plural, há quem tenha sido fisgado pelo texto de Daniel Medeiros, sobre o segundo turno da eleição para a presidência. E ele sentenciava: Dia 30 de outubro, nem medo e nem esperança: reinvenção.  

No desamparo que esses quatro anos deixou o país, há um espaço de recriação e de aprendizado profundos.  

Daniel, como se sabe, é professor de humanidades, enquanto elas existirem, como ele costuma frisar. Passo seguinte, o nosso leitor desligou o computador e foi até uma banquinha que ainda sobrevive em função das publicações em papel. Lá, não precisa nem pedir: prontamente lhe é entregue um exemplar da Carta Capital, outro veículo de leitura altamente recomendável, ou mais do que isso, posto é jornalismo plural. E eis que temos, como assunto de capa, um raio X do Brasil de hoje: 

GUERRA SANTA – Na eleição presidencial, a bíblia suplanta a Constituição. “O bolsonarismo faz uso inescrupuloso e antiético da fé para construir um projeto de poder autoritário e violento”, acusa o pastor Henrique Vieira. 

– A religião invade a disputa presidencial, ofusca os problemas reais e ameaça o estado laico. Texto de Maurício Thuswohl. 

TRAGÉDIA – Mino Carta analisa o debate da Band: evento que serviu apenas para demonstrar que o Brasil está perdido na vã busca de decifrar a si mesmo. 

NÚMEROS – 1,18 trilhão de reais é o tamanho do prejuízo causado pelo aumento do desmatamento da Amazônia, estima o economista Bráulio Borges, da Fundação Getúlio Vargas. 

– 1 bilhão de reais, ao menos, movimenta a remanufatura de peças dos fabricantes de caminhões e ônibus. 

– 2 mil clientes do Nubank no Brasil, México e Colômbia vão testar a Nucoin, criptomoeda lançada pelo banco digital.  

E temos O mundo na ladeira, de Carlos Drummond: 

– Crise – há uma recessão global a caminho e países, como o Brasil, vão sofrer mais.  

Voltando no tempo  

E não dá para esquecer: em 1988, Jair Messias Bolsonaro (Messias, para os judeus, significa o redentor prometido por Deus para redimi-los, estabelecendo uma nova ordem social de paz, de justiça e de liberdade), foi expulso do Exército. Depois de manifestos por reivindicações salariais e tramar, com desenhos, a explosão da adutora do Guandu, em Campo Grande (RJ), o que deixaria sem água 10 milhões de pessoas no Grande Rio.  

Para o ex-presidente Ernesto Geisel, Bolsonaro era um péssimo militar. E, no poder, continuou o mesmo e até piorou, para quem “trabalhadores têm que escolher entre ter direitos ou emprego”. 

PS: Tal negócio – pau que nasce torto… 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Plural se reserva o direito de não publicar comentários de baixo calão, que agridam a honra das pessoas ou que não respeitem níveis mínimos de civilidade. Os comentários são moderados por pessoas e não são publicados imediatamente.

Rolar para cima