E ele faz de conta que não é com ele…

O que era um pesadelo localizado virou um pesadelo nacional e, agora, internacional com a já chamada República da Morte que tudo atropela

Mantendo um velho (e bom) hábito, há quem, depois de ler o Plural, tenha se dirigido a uma banca de revistas/jornais. Foi no início da semana. Objetivo da busca: um exemplar da Isto É, número 2674, ano 44. Das 66 páginas, praticamente todas dedicadas ao (des)governo federal. Na capa, o rosto de um presidente descabelado (cabelos em desordem) e com o tradicional nariz de palhaço. Título em vermelho: “CPI do fim do mundo deixa transtornado Bolsonaro e sacode a política”. O nariz de palhaço é a letra o de mundo. Um o totalmente fechado, uma bolinha redonda…  

Ainda da capa: “TCU barra compra superfaturada de fuzis”.  

E, ocupando 33 das 66 páginas do exemplar, temos o que, no editorial da revista, assinado por Carlos José Marques, classifica de “A república da morte“.  

Um breve resumo: “O presidente tenta impedir as investigações sobre seus notórios crimes na pandemia. Cria circo de ameaças aos poderes constituídos e faz uma encenação junto com um senador para sabotar os trabalhos e intimidar o STF, enquanto a OAB pede o impeachment. Mais isolado que nunca, ele vive o epílogo de uma trágica gestão que vitimou milhares de brasileiros”.  

(A parte do texto em negrito é da própria revista)  

E aí, a inevitável pergunta. Como o país chegou a esse ponto? A resposta já foi dada. Saiu no Plural, dia 15, em texto da Professora Josete: Cegos que veem, cegos que, vendo, não veem. Vale transcrever:  

– A partir de obra de Saramago, é possível fazer um paralelo com o cenário de desumanização no país, potencializado em atitudes do atual presidente. Os pensamentos me trouxeram à lembrança um livro que li há algum tempo, quem sabe duas décadas: Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Alguns também devem ter assistido ao filme, algo que ainda não tive a oportunidade. O drama se desenrola a partir de uma cegueira repentina que acomete um homem, dentro do seu carro, enquanto aguarda o semáforo abrir. Saramago sempre nos surpreende. Esta cegueira não é caracterizada pela escuridão, mas por uma névoa branca que impede a visão. A mesma se espalha sobre a cidade e atinge um grande número de pessoas, causando um enorme colapso e obrigando as pessoas a viverem de uma forma totalmente diferente da que costumavam até então. O autor narra diversas situações ao longo da estória nas quais as pessoas trazem à tona o que há de melhor e também o que há de pior no ser humano.  

Para finalizar, reproduzo o último diálogo entre personagens do romance de Saramago: “Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”.  

Sobre a autora  

E vale destacar: Professora Josete – Estudou a vida toda em instituições públicas, formou-se em Biologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde também se especializou em Organização do Trabalho Pedagógico. Trabalhou como bancária, no extinto Banestado e, partir de 1985, iniciou carreira na Rede Municipal de Ensino de Curitiba. Integrou a equipe que fundou o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). Foi presidente do sindicato e dirigente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Filiou-se no Partido dos Trabalhadores em 1990 e foi eleita vereadora pela primeira vez em 2004, reelegendo-se em 2008, 2012, 2016 e 2020.  

PS meu: sobre o indigitado presidente, basta ver seu histórico como militar e sua ficha corrida até desembarcar no Planalto.  


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