A depressão infantil é um problema mais comum do que parece. Dados deste ano da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão em crianças de 6 a 12 anos aumentou de 4,5 para 8%. No Brasil não há estatísticas gerais, mas estudos isolados em cidades e escolas brasileiras revelam variações da incidência da doença que tende a aumentar na adolescência, conforme artigo publicado na revista Psicologia Escolar e Educacional, de Miriam Cruvinel e Evely Boruchovitch, pesquisadoras da Unicamp.
As causas da depressão infantil estão relacionadas com a pré-disposição genética, problemas conjugais, financeiros, cobranças exageradas por parte dos pais, traumas de abusos sexuais e psicológicos”, explica a psicóloga Paula Santos.
Em geral, a depressão infantil pode ser caracterizada como um distúrbio de humor. Costuma aparecer entre os dois e seis anos. Os sintomas podem ser percebidos quando a criança apresenta tristeza constante, irritabilidade em excesso e a falta de prazer com atividades diárias rotineiras.
Depressão aos 12 anos
A mãe de uma menina de 12 anos, que não será identificada, comenta o que aconteceu vivenciou com sua filha: “A criança muda de repente. Chora demais. Numa conversa ela não sabe expressar o que sente. Mas percebemos que ela está sofrendo muito. Conviver e lidar com depressão não é fácil. Quando a crise estava muito forte eu apenas sentava em volta dela e ficava em silêncio e a abraçava e dava carinho”.
O psiquiatra Ivan Mário Braun explica que o tratamento de uma criança diagnosticada com depressão exige acompanhamento profissional. “O tratamento é semelhante em adultos e crianças e se baseia em medicações antidepressivas e uso de psicoterapia. Mas em depressões infantis graves, associamos medicação. O antidepressivo mais estudado em crianças é o fluoxetina”, explica.
Orientação: Guilherme Carvalho (professor e jornalista)

