O sindicato que representa os professores de ensino superior em instituições privadas do Paraná quer que só alunos já vacinados contra a Covid possam entrar em sala de aula a partir de agora. As faculdades e universidades particulares devem retomar as aulas em fevereiro em formato presencial.
Até agora, em todo o estado apenas a Universidade Federal do Paraná (UFPR) anunciou que não receberá alunos sem vacina em sala de aula. A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário na semana passada. No caso das universidades e faculdades particulares, que têm com os alunos uma relação de cliente e prestador de serviço, a dificuldade para impor a cobrança é maior.
O sindicato diz que o aumento de casos de Covid, com a chegada da ômicron, exige medidas duras para proteger tanto alunos quanto professores, e também para frear o avanço da doença.
Veja a nota do sindicato:
Diante do aumento no número de infectados por Covid-19 no Paraná, que registrava 9.492 novos casos e sete novas mortes segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) na última terça-feira (11), e frente à confirmação do primeiro caso da Variante Ômicron no estado nesta quarta-feira (12), o Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana – SINPES vem a público destacar sua posição a favor da exigência de passaporte de vacina (documento físico ou digital que comprova a imunização) para o retorno das aulas presenciais em instituições de ensino superior privado de Curitiba e Região Metropolitana.
Milhares de estudantes e cerca de cinco mil docentes voltam às aulas no ensino superior privado de Curitiba e Região Metropolitana no mês de fevereiro. Desde o início da vacinação contra o Coronavírus o Sinpes destacou sua posição de que as aulas presenciais só deveriam voltar depois da imunização completa de professores/as, demais trabalhadores/as da educação superior e estudantes. O sindicato lutou para que que estes trabalhadores/as fossem incluídos nos grupos prioritários de vacinação. Para isso oficiou prefeituras e secretaria estadual de saúde, além de promover manifestações por meio da imprensa, de inserções em rádio e de caminhão de som que percorreu pontos de vacina da capital paranaense.
Nesse contexto não faz o menor sentido permitir o ingresso no ambiente presencial das instituições de ensino superior de negacionistas que colocam em risco a saúde coletiva.
A vacinação é a melhor forma de evitar mortes e sequelas graves decorrentes da Covid-19. Portanto, na visão do Sinpes, é preciso haver conscientização por parte de trabalhadores/as e alunos/as do ensino superior quanto a importância da imunização. Também é necessário que instituições de ensino superior, com o objetivo de conter a disseminação da doença (que teve alta de 600% no número de contaminados nas últimas duas semanas) adotem todas as medidas sanitárias para proteger estudantes e trabalhadores/as e exijam o passaporte da vacina para o retorno às aulas presenciais.


Para segurança da coletividade, o governo estadual deveria proporcionar e exigir a vacinação em todos os estabelecimentos públicos, a começar pelas escolas.
Rosiane, não é da alçada de um sindicato de professores meter-se na “saúde pública”. O papel de um sindicato de professores é defender os direitos dos professores. Mais importante, a “saúde pública” não justifica a suspensão de direitos humanos inalienáveis, tais como a autonomia corporal. Obrigado pela audiência.
Felipe, o Sindicato está justamente exercendo seu papel de defender a categoria, uma vez que o passaporte da vacina protege os professores. Inclusive vc vai ficar chocado em saber que este passaporte já existe, sabe? Nenhum criança pode se matricular na escola sem apresentar a carteira de vacinação. Por coincidência, estão defendendo algo que vai de encontro a política de saúde pública contra Covid adotada no mundo inteiro. E sim, o direito coletivo está acima do direito individual. Mas é uma discussão complexa. Sugiro o curso Justice, do Michael Sandel/Harvard. Tem em português e é muito bom. Vai te ajudar a sair da caverna.
Obrigada pela audiência,
Rosiane
Tá, e o professor que tiver uma opinião diferente? Vai ser abandonado (quando não insultado abertamente, como nessa nota) pela instituição que diz defender seus direitos?
Felipe, Saúde pública não se faz com base em opinião pessoal. Saúde pública é, por definição, coletiva. Obrigada pela audiência