É estranho o silêncio da direita conservadora sobre a turba de apoiadores do presidente que profanou a missa no Santuário Nacional de Aparecida nesta quarta (12). Durante a celebração da cerimônia em homenagem à Padroeira, bolsonaristas foram pegos nas mais diversas atitudes de falta de respeito.
Latas de cerveja na mão, os torcedores de Bolsonaro encurralavam pessoas de vermelho, gritavam, hostilizavam pessoas, atacavam funcionários da TV Aparecida e vaiavam o arcebispo responsável pela celebração. Tudo isso no maior templo da cristandade em território brasileiro.
Pense que quando um vereador de Curitiba entrou em uma igreja vazia para protestar contra o assassinato de negros acabou tendo o mandato cassado pelos conservadores, pelos religiosos. No entanto, o comportamento muito mais agressivo dos bolsonaristas não recebe o mesmo tratamento, pelo contrário.
O próprio presidente Bolsonaro foi às redes sociais para comentar o assunto. Mas nem por um momento lhe passou pela cabeça pedir moderação a seus apoiadores. Não: segundo ele, a culpa foi do bispo, que criticou políticas armamentistas e teria feito proselitismo político na igreja. De acordo com Jair, é por isso que as pessoas estão abandonando o catolicismo e aderindo a igrejas evangélicas.
Renato Freitas em seu manifesto antirracista em nenhum momento mostrou desrespeito pela religião. Ao contrário, os bolsonaristas e o próprio presidente atacaram um dos mais graduados sacerdotes brasileiros, irromperam com sua fúria de vândalos no templo de Aparecida e atacaram o catolicismo.
No ano passado, quando a homilia no Dia da Padroeira seguiu rumo semelhante, criticando o armamentismo e defendendo políticas de maior generosidade com os povos, um deputado estadual bolsonarista por São Paulo surtou dizendo que a CNBB é um câncer. Veja bem: um câncer. Nunca Renato Freitas ou ninguém do PT foi tão longe na crítica à religião alheia.
E no entanto, os conservadores seguem dizendo que são eles os guardiões da religião e que os progressistas (como a CNBB!) são o problema.


Será que o Papa vai receber o Bolsonaro?