Dinheiro da passagem de ônibus montou um império de 371 empresas em Curitiba

Quando Ney Braga era prefeito, o dono dos bondes era Alfredo Gulin. Na época de Lerner, era o filho Donato. Agora, com Greca, são os netos. Resultado disso é o império mapeado pelo Plural

Nos últimos setenta anos, quantos prefeitos governaram Curitiba? A lista começa com Ney Braga, o primeiro eleito para o cargo, passa por alguns que já morreram há muito tempo, como Omar Sabbag, por outros que viveram até recentemente, como Jaime Lerner, chega aos que ainda estão vivos mas fora do poder, como Roberto Requião, e continua até o atual dono da cadeira, Rafael Greca.

Leia mais: Plural mapeia império das empresas do Transporte Coletivo de Curitiba

Mas durante todo esse tempo um outro poder continuou sempre nas mesmas mãos, com pequenas variações. Desde os anos 1950, o transporte coletivo de Curitiba, responsável hoje por cerca de R$ 1 bilhão ao ano, esteve sempre nas mãos das mesmas famílias – principalmente nas mãos da família Gulin. Quando Ney Braga era prefeito, o dono dos bondes era Alfredo Gulin. Na época de Lerner, era o filho de Alfredo, Donato. Agora, com Greca, são os netos.

Durante esse tempo todo, a família há muito não se interessa em ter cargos políticos. Alfredo tentou a vida pública, Donato foi vereador por três mandatos na década de 1970. Mas depois ficou evidente que eles não precisam de votos: o poder dos Gulin também emana do povo. Mas ao invés de confiar no título de eleitor, eles preferem depender da carteira do curitibano. DE R$ 6 em R$ 6, ao longo desses 70 anos, construíram um império.

Além das muitas empresas de ônibus (hoje 7 das 11 que prestam serviço em Curitiba são dos Gulin), o império da família vai muito mais longe. A reportagem de Rosiane Correia de Freitas (aqui) mostra isso de um jeito novo. Junto com as outras poucas famílias donas do transportes público de Curitiba, como os Bertoldi, os Gulin são sócios ou donos de nada menos que 371 empresas.

São empresas de todo tipo, incluindo construtoras chiques, hidrelétricas, muitas empresas de transporte, claro. E na verdade o mapeamento poderia ir muito mais longe, já que boa parte dos CNPJs em nome dos donos do transporte são empresas de participação. Ou seja: são lugares onde eles põem o dinheiro da passagem para investir em outros empreendimentos.

O império daquilo que Elio Gaspari chama de “transportecas” é uma prova definitiva de quanto o negócio é lucrativo – ainda mais quando a prefeitura não se cansa de dar incentivos, subsídios e de mudar o sistema de pagamentos quando a coisa aperta para os empresários – afinal, o Brasil tem a pretensão de inaugurar o capitalismo em que o empresário não pode jamais correr riscos.

Veja mais sobre o mapa aqui.

5 comentários em “Dinheiro da passagem de ônibus montou um império de 371 empresas em Curitiba”

  1. É vergonhoso,por isso nunca teremos um metrô em Curitiba,pois quem manda no transporte público faz o que bem quer,e todos os a prefeitura tem que repassar milhões e ainda fazem reajustes na passagem,

  2. Osvaldo Colarusso

    Vergonhosa essa lambança permitida pela prefeitura de Curitiba há décadas. Curitiba é uma cidade das aparências, lindas a princípio, mas quando se observa mais de perto vemos que tudo tem um jeito de cenário fake.

  3. Tem também as leis que beneficiam essas empresas, exemplo, a lei que determina que se o usuário não utilizar as passagens por um período de um ano, elas expiram e o usuário fica com o prejuízo

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