O curioso caso dos 15 deputados que votaram por um aumento que não vão receber

Sem o voto dos deputados que não foram reeleitos, Assembleia não conseguiria aprovar reajuste de 37% nos próprios salários

Às vésperas do fim do mandato, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou o aumento da remuneração dos deputados estaduais para a próxima legislatura. Foram 33 votos a favor, apenas cinco a mais do que o necessário para a aprovação do generoso reajuste de 37% que será concedido a partir de 2023. Curiosamente, 15 dos 33 que votaram “sim” não vão receber um centavo do novo salário, de R$ 34,7 mil.

Dos responsáveis pela aprovação, alguns nem concorreram à reeleição: Francisco Bührer elegeu o filho, Thiago, por exemplo. Já Tião Medeiros foi para deputado federal. A maioria, porém, tentou a reeleição e não conseguiu. Mas por que essas pessoas decidiram aumentar o gasto do erário (e arcar com a impopularidade que esse tipo de votação traz) mesmo sem ser beneficiada diretamente.

A aposta é que vários desses nomes vão começar a aparecer nos Diários Oficiais a partir da virada do ano, com nomeações em cargos muito bem remunerados – tanto na Assembleia Legislativa quanto no governo de Ratinho Jr. (PSD). Ao assumir o encargo de votar numa causa como essa, teriam recebido a promessa de preferência na hora do preenchimento nos cargos de segundo escalão, por exemplo.

A Assembleia Legislativa tem tradição de servir como fornecedora de empregos para deputados não reeleitos. O próprio Nereu Moura, por exemplo, que a partir de janeiro volta a ficar desempregado, já passou por essa situação e ganhou uma boa remuneração para trabalhar como comissionado na Assembleia. Afinal, cargos, como se sabe, não faltam na Assembleia.

Adelino Ribeiro (PSD)
Bazana (PSD)
Delegado Fernando Martins (Republicanos)
Doutor Batista (União)
Elio Rusch (União)
Francisco Bührer (PSD)
Jonas Guimarães (PSD)
Luis Carlos Martins (PP)
Michele Caputo (PSD)
Nelson Justus (União)
Nelson Luersen (União)
Nereu Moura (MDB)
Reichembach (PSD)
Soldado Fruet (Pros)
Tião Medeiros (PP)

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