Mortes causadas pela PM são 30% do total de mortes violentas em Curitiba em 2021

No ano passado, policiais militares mataram 99 pessoas durante operações em Curitiba; no Paraná inteiro, foram 406 casos

A Polícia Militar foi responsável por 30% das mortes violentas ocorridas em Curitiba em 2021. No total, os policiais militares mataram durante suas operações na cidade 99 pessoas, de acordo com o Gaeco. Em tese, essas mortes ocorreram em confronto – ou seja, quando a polícia atira para se defender ou para proteger a vida de terceiros.

Por outro lado, segundo a Secretaria de Segurança Pública, os homicídios cometidos pela população em geral na capital em 2021 foram 230 (o que inclui oito casos computados como feminicídio). Além disso, houve cinco mortes causadas por operações de guardas municipais e uma pessoa foi morta pela Polícia Civil. Isso significa que, na soma, 335 pessoas perderam a vida em episódios de violência na cidade.

Ao contrário do que vem ocorrendo com o número total de homicídios, que desde 2010 vem caindo ano a ano na capital, o número de mortes causadas pela polícia vem subindo. No Paraná como um todo, o aumento de 2020 para 2021 foi de mais de 9%, passando de 380 mortes em confronto para 417 (a conta aqui inclui todas as forças de segurança: PM, Polícia Civil e guardas municipais). De 2015 até o ano passado, o aumento foi de 59%.

PM violenta

A polícia brasileira vem sendo frequentemente criticada pelo excesso de violência. Em muitos casos, questiona-se se haveria necessidade de atirar, uma vez que a lei determina que a reação a tiros seja feita apenas nos casos em que não seja possível prender a pessoa sem o uso de violência.

Em 2021, alguns casos chamaram muito a atenção, como o episódio em Marialva em que a PM fuzilou criminosos que estavam dentro de um carro. O episódio foi filmado e não parecia sugerir que ninguém dentro do carro estivesse colocando a vida dos policiais em risco, o que eliminaria o pretexto para os tiros.

13 comentários em “Mortes causadas pela PM são 30% do total de mortes violentas em Curitiba em 2021”

  1. Isso tudo, somado aos comentários profissionais que aqui têm, é muito fácil e tranquilo criar esse alarmismo e narrativa, queria saber se o fariam na era pt, por que criticar o Gv “truculento” do Bolsonaro é fácil. Sabendo disso, se coloca em alta o oponente do Gv atual, e esse debate sobre a crise das polícias é muito antigo e profundo. O que de fato fez os gvs anteriores para mudar isso? Sabendo que o que pode levar a presidência é o mesmo que debateu tudo isso e nada fizeram na prática. Vale a pena detonar as polícias com intuito eleitoral que está na cara, pra devolver o Gv a um pt que nada fez? E mais, vai continuar toda a corrupção. Entenda que sua crítica faz palanque pro lulalau, só entenda isso.

  2. Boa tarde Rosiane.

    Vou pontuar somente que as informações iniciais de sua defesa são desnecessárias pois não me incluo em nenhum dos itens (– incitação a violência– calúnia, injúria ou outros crimes do gênero– informação falsa– propaganda político partidária– links para sites enganosos ou golpes) Procurei tecer um comentário sobre o que foi em meu entendimento uma visão polarizada do problema. Não adianta bater em polícia apenas e esquecer a gênese do problema (educação de base). Sobre as métricas solicitadas: Houve redução na taxa de homicídios e crimes violentos no Estado do Paraná. Isso é dado público e não informação privilegiada. Apesar disso, deixo claro que não sou partidário do uso da violência de nenhuma forma. Aliás se possível, terminarei minha carreira sem usurpar a vida de nenhum cidadão sequer mas com várias prisões em flagrante executadas até o momento. O interesse público é claro que nunca será pró-morte (ao menos espero sinceramente que não).”Mais ainda, será que em pleno século XXI temos que continuar com uma mentalidade do século XVIII de matar ou morrer?” Desculpe mas novamente está vendo pelo prisma do 08 (oito) ou 80 (oitenta). Nunca disse isso e concordo que não! Mas se for amparado pelas excludentes de ilicitude o operador de segurança pode e deve parar a injusta agressão. Veja que estávamos falando de violência e não de justiçamento, sendo assim, seu comentário não cabe. Dei uma ideia para se dirimir o problema e até mesmo para futura vigilância do jornal de vocês para políticas públicas. “A essa altura do campeonato, a polícia realmente não tem um jeito mais inteligente de combater e prevenir crimes?” Infelizmente para a prevenção de crimes existem certas medidas que deveriam ser tomadas e mesmo assim não é uma receita de bolo (diminuição de desigualdades sociais, efetividade de punibilidade, e reforço de material humano em policiamento… etc.) Isso não é de competência das forças de segurança pois dependem do posicionamento de outros poderes. Você me parece uma pessoa engajada nessas questões que defende com bastante afinco. Sugiro respeitosamente que procure um CONSEG de sua região para poder somar com os questionamentos que julgar pertinente. Seria de grande valia. Como profissional de segurança digo que não tenho compromisso nenhum com a ignorância e aceito e reconheço boas ideias quando, e se, as vejo. A Respeito das citações sobre as garantias expostas na Magna Carta que usou, são equivocadas e mal pontuadas então não me pronunciarei para não escrever textão ok? Agradeço o espaço. Meu intuito realmente era ajudar a olhar por outro angulo! Abraços.

    1. Rosiane Correia de Freitas

      Alexandre, só te informei quais nossos critérios para não publicar comentários. Os teus foram publicados, então, por óbvio, não se enquadram nos critérios.
      Se o senhor quiser debater com respeito, é só me procurar, o jornal está de portas abertas para recebê-lo.
      Rosiane

  3. Olá. Correndo sério risco de ter minha fala desmerecida neste espaço simplesmente por minhas posições e profissão vou me manifestar sobre o tema com o devido respeito que aprendi desde minha infância. Sou profissional de segurança pública a mais de 20 anos e acredito ter mais vivência de viatura e do cotidiano da vida policial do que qualquer uma das pessoas que se manifestaram aqui ou que se baseiam em relatos e/ou estudos de sociólogos, antropólogos, profissionais da imprensa e mais uma infinidade de pessoas que analisam o problema com viés político (todos temos por mais que alguns não admitam) propondo soluções simplistas. Tenho graduação em Universidade Pública e Pós em Direitos Humanos também em ambiente público justamente falando sobre o tema violência. Já que Rosiane citou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública como referencia em resposta pretérita, alias uma ótima referencia, gostaria de citar estudos que foram feitos em sua 10ª edição que aventam que 57% da população pesquisada a época apoiava a ideia que “bandido bom é bandido morto”. Ora! Isso nos leva a várias possíveis indagações mas superficialmente, por não ser esse um ambiente acadêmico propriamente dito, podemos elencar aqui a pergunta: Os policiais brasileiros vem de outros países ou de outro planeta? Se a resposta é não, então eles são oriundos da mesma sociedade violenta que consideram que bandido tem que morrer sendo, portanto, fruto dessa sociedade e não algoz da mesma. Assim temos uma cultura policial violenta que tem sido combatida nas escolas de polícia através de matérias como direitos humanos em sua grade e corregedorias internas que licenciam por ano dezenas de policiais com condutas atípicas do que se espera de um profissional de segurança pública . Temos um judiciário que “bate firme” em atuações policiais desastrosas e que fiscaliza essas atuações de dentro do aconchego de seus gabinetes, depois do fato consumado, mas que liberam pessoas perigosas ao convívio da sociedade e que retornam à vida criminosa com a certeza da impunidade. Sendo o mais grave o fato de nenhuma atuação preventiva educacional ser realizada nas escolas onde gerações de cidadãos estão sendo formados. Noções de civismo, empatia e tolerância deveriam sim ter matéria específica assim como noções de gestão financeira. Conheço bem o direcionamento deste “jornal” até porque faço parte da classe de trabalhadores que sempre foi amplamente criticada e atacada (muitas vezes de maneira leviana) pelo Galindo quando trabalhava na Gazeta. Sugiro essa análise incorporada ao que já foi proposto. Já que 57% da população acredita que bom bandido é o morto e não temos o mesmo percentil de profissionais afastados por atuações violentas nas forças de segurança pública do país esse pode ser um indicativo de:
    1) Atuação das escolas de polícias tem sido exitosas em limitar esses números.
    2) Existe subnotificação com culpa do estado por não fazer o controle eficaz disso (executivo , legislativo e principalmente judiciário que contribuem em muito para sensação de impunidade no seio da sociedade)
    3) Valores propostos por entidades religiosas e núcleo familiar estão limitando esse viés violento.

    De qualquer forma o debate é amplo e colocar a culpa somente na polícia me parece ser serviço de preguiçoso que tem aversão à dialética.

    1. Rosiane Correia de Freitas

      Caro Alexandre, primeiro gostaria de esclarecer que o jornal se reserva o direito de não publicar:
      – incitação a violência
      – calúnia, injúria ou outros crimes do gênero
      – informação falsa
      – propaganda político partidária
      – links para sites enganosos ou golpes
      Como você deve saber, dada a sua formação, eu tenho uma responsabilidade legal para com o que é publicado aqui, inclusive pelos comentários de terceiros.
      Sobre sua análise, em momento algum o Plural declarou encerrado o debate. É um assunto complexo e que merece ser amplamente debatido. Agora, você coloca que a população apoia a violência policial, não discordo. De fato, é um característica brasileira. Agora, será que é uma política eficiente e justa? E mais ainda: é essa a medida do que é de interesse público? A despeito da Constituição Nacional não prever pena de morte e de garantir o direito a ampla defesa e a dignidade?
      E como você mesmo citou as tais “soluções simplistas”, referendar uma atuação violenta da polícia não é uma solução simplista? Onde estão as métricas que provam que uma maior violência policial implica em redução de crimes?
      Mais ainda, será que em pleno século XXI temos que continuar com uma mentalidade do século XVIII de matar ou morrer? A essa altura do campeonato, a polícia realmente não tem um jeito mais inteligente de combater e prevenir crimes?
      Obrigada pela audiência
      Rosiane

  4. Mortes causadas por bandidos que já tem condenação ou foram soltos por motivo qualquer são quantas? Hummm difícil saber a maioria dos homicidios não tem solução. Quantos % dessas mortes atribuídas a policiais foram com pessoas com passagem pela polícia? Humm ninguém sabe pois vai contra o ponto que a polícia sempre é violenta.

    “uma vez que a lei determina que a reação a tiros seja feita apenas nos casos em que não seja possível prender a pessoa sem o uso de violência.” – De onde tirou isso???

    Em muita abordagem a policia já chega recebendo bala.

    1. Rosiane Correia de Freitas

      Oi Marc, existe um livro do Caco Barcellos chamado Rota 66. Recomendo muito que você leia. Abraço e obrigada pela audiência.

    1. Rosiane Correia de Freitas

      Oi Ricardo, vou listar alguns artigos científicos. Vários em inglês, uma vez que a pesquisa sobre o tema é bastante extensa nos EUA, onde a brutalidade policial é um problema endêmico também.
      How Much is Police Brutality Costing America?, sobre o impacto da violência na sociedade, de Eleanor Lumsden – https://digitalcommons.law.ggu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1806&context=pubs
      Tem essa investigação do Washington Post sobre quanto a polícia americana gastou em acordos de casos de uso excessivo da força: https://www.washingtonpost.com/investigations/2022/03/10/what-you-need-know-about-cost-police-misconduct/
      Homicídios, desenvolvimento socioeconômico e violência policial no Município de São Paulo, Brasil – este é um estudo do Núcleo de Estudos de Violência da USP que analisa a associação entre violência policial e coeficientes de mortalidade por homicídio – https://www.scielosp.org/article/rpsp/2008.v23n4/268-276/
      Tem o anuário de segurança pública brasileiro, que é produzido a partir de dados das secretarias estaduais. O capítulo 4 é inteiro sobre mortes causadas por policiais – Aqui https://forumseguranca.org.br/anuario-brasileiro-seguranca-publica/
      O fórum de segurança pública também tem esse material específico sobre violência policial e juventude: https://forumseguranca.org.br/publicacoes_posts/juventude-e-violencia-policial-no-municipio-de-sao-paulo/
      Enfim, a lista é interminável, mas estes já são um bom começo de leitura.
      Obrigada pela audiência
      Rosiane

  5. Enquanto a população média aplaudir essa chacina e o Curitibano cultivar essa lenda urbana de que sua polícia mata apenas quem merece (ainda que não haja previsão legal para pena de morte no país) a coisa só vai por água abaixo. E não há gravação e monitoramento que possam frear essa matança…

    1. Rosiane Correia de Freitas

      Oi Bruno, você tem razão. Há estudos apontando que a violência policial tem impacto na saúde mental da população, assim como diminui a capacidade da polícia de prestar contas e também que as forças policiais são mais violentas com grupos sociais específicos. É um assunto que precisa ser abordado sempre que possível.
      Obrigada pela audiência, Rosiane

  6. Todos sabem que a polícia mata e forja flagrante…nos bairros longe dos centro e assim… ninguém confia na polícia….lembram do Caso do Léo????

    Tem que pôr câmera assim como em SP já caiu 30 % os casos

  7. J. Cícero Alves

    PM Violenta

    As críticas à Polícia brasileira “pelo excesso de violência” têm fundamento e procedem.

    São cada vez mais frequentes os casos de ações policiais truculentas, abusivas e por vezes ilegítimas que vemos publicados nos jornais, ficando a impressão de que vivemos em um país em que direitos e garantias constitucionais já não vigem mais.

    Vemos nos noticiários quase todos os dias pessoas espancadas e até mortas nas ruas por policiais mesmo depois de algemadas, imobilizadas e sem esboçarem qualquer reação.

    Jovens negros, pobres e moradores de favelas são com frequência o público alvo dessas abordagens policiais impróprias, arbitrárias e inaptas, que apesar de nos causar indignação, tornaram-se comuns, passando a fazer parte do nosso cotidiano !!

    Na cidade de São Paulo, por exemplo, jovens da periferia – estigmatizados como “bandidos” pela polícia, –, geralmente em razão de sua cor ou condição social –, são com frequência abordados, agredidos e humilhados por policiais sem que haja flagrante, sem qualquer razão, especialmente na zona sul e na zona norte, onde se concentra o maior número de favelas na capital paulista.

    E nessas abordagens imoderadas e truculentas contra populações de comunidades, morros e favelas paulistanas, alguns acabam mortos, e depois, com as investigações, descobre-se que a pessoa executada pela polícia não tinha praticado crime algum, e quase nada acontece com o policial transgressor, quando muito o agente é retirado das ruas e transferido para o COPOM. Um ou outro acaba preso, mas na maioria das vezes não são punidos ou a punição é mínima.

    Dificilmente, você vê isso acontecer em bairros nobres como Itaim Bibi, Jardins e Morumbi. A violência policial, quando ocorre, é sempre dentro das comunidades ou nas imediações destas.

    E nada tem sido feito pelo governo do Estado para conter a atuação arbitrária das forças policiais e pôr fim a essa verdadeira barbárie.

    É como se o Estado democrático de direito tivesse dado lugar a um Estado policial arbitrário.

    É como se o Brasil tivesse se transformado numa terra sem lei, sem liberdade, sem justiça.

    Diga-se, porém, por razão de justiça, que há no país policiais extremamente competentes e preprados que no seu trabalho diário de combate à criminalidade atuam com eficência e sempre dentro da lei.

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