Gustavo Fruet sempre foi visto como um sujeito absolutamente sensato. Mesmo seus críticos jamais o chamariam de radical. É o tipo da pessoa tranquila, com quem você deixaria seus filhos se precisasse. De uma honestidade franciscana, incapaz de levantar a voz. O tipo de pessoa que conseguiria suportar meia hora de Padre Kelmon sem perder a paciência.
Neste domingo, Fruet ficou sem mandato. Pela primeira vez desde que chegou a Brasília, e lá se vão 24 anos, perdeu uma eleição para deputado federal. E não só perdeu: foi uma derrota humilhante para alguém com o cacife que ele acumulou ao longo dos anos. Vou ser sincero: foi triste ver um político inteligente e cheio de potencial como ele levar essa invertida.
Você pode ficar procurando quantas causas quiser, das mais evidentes às mais arcanas, para que um tipo como Fruet tenha tido menos de 50 mil votos. Mas eu tenho a minha própria teoria: Fruet foi expulso do Congresso por uma sociedade que decidiu que é preciso militar com mais força em um dos dois lados do espectro político.
O eleitor paranaense aceitou o quente e o frio. Mandou para a Câmara o lulismo de Gleisi e Veneri, assim como o bolsonarismo de Filipe Barros e Sargento Fahur. Mas pediu delicadamente que voltem para a casa os que evitaram se alinhar com um dos dois lados. Não foi só Fruet. Pense nos 40 anos de vida pública de Rubens Bueno ou nos 50 de Alvaro Dias. Os dois não se declararam bolsonaristas nem lulistas e foram igualmente expelidos pelo eleitor.

Em 2018, no segundo turno presidencial, Fruet, que à época tinha um capital de mais de 100 mil votos e acabava de sair da prefeitura de Curitiba, se recusou a tomar partido. Para alguns poderia parecer um gesto inteligente: não se comprometer com o radicalismo poderia ser um jeito de mais tarde estar livre de críticas pelo erro alheio. Era um engano.
Pense na Câmara de Curitiba: 17 vereadores saíram candidatos a algum cargo. Quem se elegeu? Três petistas (Ana Júlia, Carol Dartora e Renato Freitas), uma bolsonarista (Flávia Francischini) e um lavajatista (Denian Couto). Veja o que aconteceu com o centro…
É como se o eleitorado estivesse dizendo que, neste momento, é inaceitável não tomar partido. Ficar em cima do muro custou mandatos, assim como em outros tempos de radicalismo custou cabeças.


Alô, alô , Oriovisto .É hora de acordar. O Galindo tá te dando uma dica .
Uma ótima análise. Principalmente porque é verdade. Triste verdade onde não cabe uma posição mais sensata, mais tranquila, menos radical… que caberia em outros tempos, mas nesse tempo atual não cabe. Que pena…
Excelente análise . É bem isso . Você pode deixar sem medo seu filho recém nascido pro Guga cuidar. Só que ele não é aquele centro avante rompendor . Não entra em bola dividida nem Fu….
Qdo se fica em cima do muro já se escolheu o lado. Num momento de fascismo, não se pode ser neutro! O povo está passando fome e nem isso o sensibilizou a posicionar se! Triste fim
Excelente análise de quem é do ramo. Penso que essa eleição trouxe más e boas notícias. Fruet e Rubens Bueno são democratas, mas omissos ao extremo. Essa candidatura própria do PDT ao gov. do PR foi uma gambiarra inaceitável. Melhor seria o Fruet ter dado as caras. Fruet e Rubens Bueno acharam que sairiam ilesos do furacão da polarização. Erraram e feio. Ainda há o fato de uma nova configuração partidária, que pode ter punido ambos.
Votei em Fruet em 2018. Me arrependi e muito. Aparentemente passou 4 anos sem nada fazer. Nem oposição clara ao fascismo de Bolsonaro fez. Diante da grave crise institucional e civilizatória, se calar diante da barbárie é inaceitável. Quem o faz escolheu o lado dos poderosos. Assim como Ciro Gomes perdeu meu voto para sempre. Não voto nem neles nem para síndico.
A sensação que tenho é que no Brasil inteiro as pessoas queriam alguém “midiático”, que se exponha. Políticos “realmente de centro” não se expõem tanto. Apenas fazem o trabalho deles, de “assinar leis”.
Não consigo ver exatamente como “as pessoas votaram no quente ou no frio”. Mas sim, que as pessoas votaram em quem se expôs mais.
Vendo os números na cidade onde resido, os candidatos mais votados eram dois dos vereadores em mandato atual na cidade. E pelo pouco que sei, dado que não acompanho politicamente a cidade onde resido, eles procuram ter um trabalho de exposição nas mídias locais / redes. Fora também o apoio do prefeito local, que estava em toda propaganda relacionada.
A eleição 2022 foi uma das mais midiáticas. Este creio que foi o maior problema.
Concordo com o argumento de Rogério Galindo. Em tempos de radicalismos é difícil ficar “tucanamente” em cima de muro, como é a origem partidária de Fruet. Mas acho que vai além disso. Em tempos de riscos severos à democracia, um politico democrata, como sei que Fruet é, pois o conheço há muito tempo, não pode deixar é declarar seu voto em Lula.
Concordo com tua análise. o esvaziamento desse centro racional é que nos faz muita falta