Bolsonaro insinuou que Ratinho pode ser presidente. Será?

Governador poderia tentar ser o sucessor de Jair Bolsonaro em 2026

Jair Bolsonaro (PL) goste-se ou não é o principal nome da direita no Brasil no momento. Por um lado isso significa que a direita se tornou extremista – muito mais do que nos tempos em que era representada pelo PFL ou pelo DEM. Por outro, a imensa popularidade da direita que ousa dizer seu nome levou muita gente a se assanhar e a trilhar esse caminho pensando em voos mais altos.

Nesta quarta, Bolsonaro, em Curitiba, disse que Ratinho Jr., seu anfitrião, tem tudo para se tornar o novo líder da direita no Brasil – segundo ele, o governador do Paraná tem projeção nacional hoje, o que é um certo exagero. E, embora não tenha dito com todas as palavras, o que Bolsonaro estava dizendo é que Ratinho poderia ser candidato à sua sucessão, caso os dois se elejam.

Faz sentido? O Paraná nunca elegeu um presidente e, embora todos os governadores daqui em algum momento tenham sonhado com isso, as poucas tentativas foram pífias. Alvaro Dias foi o único a conseguir se lançar e voltou com menos votos do que teve para o Senado. Nem Sergio Moro, que chegou a ser um quase-favorito, conseguiu a candidatura.

Mas Ratinho talvez de fato tenha algo que os outros não tiveram: seu pai. Lerner, Requião, Alvaro, Beto, todos pensaram que poderiam ter uma carreira nacional. Mas começaram num estado que não tem tanta força em Brasília e não tinham um cabo eleitoral forte que os impulsionasse para fora da fronteira.

Ratinho Jr. tem Ratinho pai. Em certo sentido, mesmo quando foi eleito deputado estadual aos 21 anos Ratinho Jr já devia seus votos a uma figura nacional. Sua eleição chamava a atenção por ser filho de um apresentador conhecidíssimo, ultrapopular e, não menos importante, multimilionário.

E esse é outro fator fundamental. Embora Júnior tenha declarado apenas R$ 8 milhões à Justiça Eleitoral, sabe-se que dinheiro não é um problema. Ratinho, o pai, tem fazendas, empresas e salário para bancar qualquer campanha sozinho. Só no Acre tem uma área da Amazônia que poderia ser um pequeno país na Europa.

Claro que uma candidatura presidencial tem vários empecilhos≥ Depende de sorte. No caso de Ratinho, por exemplo, dependeria de Bolsonaro se reeleger (caso perca, Jair certamente voltará a ser candidato em 2026). Dependeria de ter uma votação expressiva contra Requião (essa parece fácil). E dependeria de mais uma dezena de fatores.

Mas Júnior não é bobo. Tem se mostrado um bom articulador, juntou quase o estado todo, à exceção da esquerda, em torno de sua reeleição. E é extremamente ambicioso. Pode não dar em nada, claro, mas não seria absurdo imaginar que ele vá tentar uma campanha presidencial daqui a quatro anos.

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