Aldemário da Silva, motorista de táxi, solteiro, um homem conhecido pela total falta de imaginação e de cujo espírito nunca se esperou que coisa alguma brotasse, certa vez teve uma ideia, a primeira de sua vida até aquele momento, uma ideia pequena, é certo, mas tão luminosa e inovadora que gerou a convicção geral de tratar-se de um plágio descarado, de modo que ninguém lhe deu crédito e a ideia acabou abandonada num campo de papoulas às margens do Rio Chopim, onde aos poucos perdeu o viço e, por fim, faleceu.
Seis meses depois, consumido pelo desgosto e naufragado no álcool, o próprio Aldemário expirou.
