Em 1974, no pronto-socorro do Cajuru, atendi um paciente que, ao trocar a lâmpada da sala, nu, perdeu o equilíbrio, caiu da escada e pousou exatamente em cima do tubérculo esquecido ali pelo chão.
Ao exame, já logo na ampola retal, era possível ver não apenas a batata, mas um tapete multicolorido de alface, brócolis, agrião, tomate e alcachofra. Um pouco além, um riacho murmurante e, às margens, pequenos animais silvestres. Logo o gorjeio dos rouxinóis invadiu a sala de emergência e acalmou os inquietos. Aprofundando ainda mais o aparelho, a mata adensou-se e, de repente, do meio da floresta, saltou um guepardo perseguindo uma zebra, enquanto meia-dúzia de elefantes eram vistos ao longe.
Adiante desse ponto, o retossigmoidoscópio não alcançou.
(Tungzténio P. Garcia)
