A disputa para o Senado no Paraná acabou ficando entre três candidatos de direita ou centro-direita. Alvaro Dias, Sergio Moro e Paulo Martins acabaram se mostrando os únicos nomes viáveis até o momento – e faltando apenas duas semanas para a eleição, é muito difícil que isso mude.
As pesquisas dizem que o candidato eleito deverá ter pouco mais de 30% dos votos, seja ele quem for. E aí surge uma pergunta interessante e necessária: será que não há um único candidato progressista capaz de rivalizar com esses números?
Há pelo menos três candidaturas mais à esquerda de partidos relevantes: o PT apoia Rosane Ferreira (PV); o PDT lançou a professora Desiree Salgado; e o PSol saiu com a candidatura de Laerson Matias. Mas nenhum deles foi em frente, e há uma explicação.
Se uma dessas candidaturas tivesse o mesmo desempenho de Roberto Requião ou de Lula no Paraná, ou algo que chegasse perto disso, teria como se viabilizar. Mas aparentemente tanto o PT quanto Requião acharam que o objetivo maior é derrotar Sergio Moro. E o eleitor foi na onda.
Tem sido comum ouvir eleitores mais à esquerda dizerem que vão votar em Alvaro Dias por receio de que, sem isso, Sergio Moro se torne senador. E a vitória da Lava Jato seria inaceitável para os partidários de Lula. Compreende-se.
Porém, cálculo nem sempre é o melhor modo de se escolher uma candidatura. A opção pelo candidato “menos pior” tem resultado por vezes em situações pouco promissoras. Alvaro Dias está longe de representar a truculência bolsonarista, claro. Mas também não tem a menor propensão para defender causas progressistas.
A estratégia do voto útil, pior, mata na casca candidaturas interessantes e que poderiam representar uma renovação necessária para a política local. A professora Desiree Salgado, por exemplo, tem todos os predicados que um eleitor progressista poderia desejar: firme, correta, inteligente, feminista.
E no entanto, tudo indica que está fadada a ter um resultado inexpressivo, que não apenas lhe tira as chances de ganhar a eleição. A política do voto útil deixa também de criar novas lideranças, que poderiam ter nessa disputa a chance de se apresentar ao eleitor e de garantir espaço para 2026.
Mas a miopia da fúria anti-Moro não permite que se veja isso. E com essa opção, novamente a esquerda pode depender de novo daqui a quatro anos do velho Requião, que estará já com 85 anos. Pelo simples fato de que não cuidou de dar ao eleitor nenhuma opção diferente.


Não querem moro no senado porque…
Sou lava jato no senado e Câmara Federal.
sergio moro ganhou meu voto depois do último debate.
Que tal olharmos os números para termos um pouco de noção sobre o que estamos falando. Como senador, Álvaro Dias se apagou completamente, especialmente porque tinha mais holofote quando era uma das principais vozes da oposição aos governos petistas. Mas no governo Bolsonaro, votou 50% a favor e 50% contra projetos voltados aos trabalhadores. Se Moro fosse eleito, terial palco na política para tentar ser novamente a alternativa ao lixo bolsonarista em 2026. Se for derrotado, será uma humilhação gigantesca para um sujeito que se achou maior do que Deus, mas que não consegue nem ser eleito senador contra um velho desgastado, superado, que é o Ávaro Dias. É verdade que a esquerda ficou sem nomes muito expressivos neste ano, porque o projeto maior é eleger Lula para tirar o Brasil do abismo. Teremos 4 anos para reconstruir tudo isso, e haverá um vácuo na política paranaense para ocuparmos.
Contra a Desiree Salgado pesa também o fato de o PDT ter se tornado uma lástima e linha auxiliar do bolsonarismo. Não ela mesma, de modo algum – é uma candidatura progressista em si, como boa parte do PDT. Ao qual eu inclusive me filiei há uns dois anos, em grande parte por apoiar o mandato do deputado Goura; mas desta vez, não darei um voto a um partido cuja campanha nacional tem se mostrado essa coisa abjeta que o Ciro Gomes está fazendo, e cuja bancada não se mostra unida em causas progressistas – medate do PDT, na Assembleia ou no Congresso, vota contra os trabalhadores, contra a educação pública, e depois, muda para partidos de direita. Concordo que o Paraná precisa de novas lideranças, mas o Paraná também deve sim ao Brasil enterrar a carreira de Moro de uma vez. Espero, também, que as lideranças se firmem entre os deputados estaduais e federais, que terão mandato – não acredito que uma votação de 8% para o Senado ao invés de 2% ou 3% significará alguma coisa em dois ou quatro anos.
Eu concordaria se houvesse uma candidatura forte da esquerda. Já que a direita se fragmentou, perdemos a oportunidade de uma única candidatura forte. Seria a Desiree se o PDT tivesse unido forças em vez de palanque vazio pro Ciro. Agora acontece de termos 3 candidaturas pífias que nada mudam no resultado, via a inexpressividade nas pesquisas. A eleição passada ocorreu a virada, pois de longe q o Oriovisto e o Flávio Arns não tinham a preferencia. As circunstâncias da última semana fez ambos derrotarem o Requião e o Beto Richa até então favoritos. Vai que aparece um fato novo ai… não custa sonhar.