Em meio aos debates sobre política pública e com a proximidade das eleições, me deparo com um questionamento muito sério: mulher vota em mulher?
Ao longo do meu trabalho na Câmara Municipal de Curitiba, sempre trouxe essa temática para o parlamento, a luta por mais mulheres eleitas, a luta pelos nossos direitos, a luta por nos sentirmos valorizadas e representadas. Tudo que queremos é mostrar nossa voz e ocupar o espaço que também é nosso.
Até a década de 30, em nosso país, o voto e as candidaturas eram exclusivamente masculinos. Nós não deveríamos nos envolver ou participar ativamente da vida pública. Este ano, completamos 90 anos do direito ao voto feminino, reflexo de muita luta e um avanço gigantesco na nossa sociedade. No entanto, boa parte das mulheres ainda têm receio de votar em uma representante. Apesar de estarmos muitas vezes na vanguarda da estrutura familiar, da ciência, da educação, da política, entre tantos outros lugares, e sermos 53% do eleitorado do nosso país, ainda assim, inexplicavelmente, preferimos aos homens.
A grande questão, não é deixarmos os homens de lado, mas sim, nos vermos de igual para igual. De dividirmos um espaço que ainda é eminentemente masculino. De acordo com o Tribunal Eleitoral Superior (TSE), no ano passado, o Brasil ocupava o 140º lugar de 192 países com relação à participação política feminina, ficando atrás de todas as nações da América Latina, com exceção do Paraguai e do Haiti.
Em 2008, 900 municípios brasileiros não elegeram nenhuma vereadora. Isso deixa ainda mais nítido o grande desafio de votarmos, de melhorarmos nossa estrutura e prestarmos atenção na discriminação que sofremos e da posição que nos colocam.
Este ano, serão 77 milhões de brasileiras que devem votar. E, é a oportunidade de ampliarmos a nossa presença, nossa participação, contribuindo nas decisões da nossa sociedade.
Queremos igualdade de trabalho, de educação, tratamento, salário e condição de vida. Precisamos pensar no futuro, avançarmos sempre e termos coragem para encararmos novos desafios. Esta é a nossa luta. E você? Depois de tudo isso, já pensou em que lugar gostaria de ocupar?


Me chamo Vilma Cervantes. Atualmente moro em São José dos Pinhais. Sou filiada ao antigo PFL hoje Dem de Tijucas do Sul. Fui canditada a vereadora, e senti nitidamente o preconceito contra as mulheres. Acho realmente que temos que lutar juntas para que possamos ter mais representatividade política.
Parabéns às valorosas mulheres, que enfrentam desafios, emprestam seus nomes para representar toda uma sociedade, a qual anseia por liberdade, por melhores condições de vida, de dignidade. São elas que fazem parte da estrutura familiar, que respondem por grande parte da economia. Fico feliz quando vejo o brilho no olhar de uma mulher valorosa. Tenho esposa, filha e neta e vejo o quão importante o são na minha vida. Parabéns vereadora, continue a ser essa pessoa humilde, sensata e defensora dos interesses comunitários para a qual foi eleita. Por um povo que exige a excelência dos serviços públicos. Grande abraço à senhora e toda sua equipe.