
Esta publicação faz parte do Festival de Jornalismo Literário, organizado em parceria pelo Plural e faculdades de jornalismo de Curitiba e Ponta Grossa. O livro-reportagem de Larissa Nicolosi foi publicado em capítulos. Leia a primeira parte aqui. A segunda está aqui. E a quarta está aqui.
“Eu não sei nada do cemitério, quem sabe é a Clarissa, a menina que anda por aí e tudo”. Maria Ferreira da Silva, na casa dos 70 anos, dona de uma das floriculturas do cemitério, precisa de pelo menos cinco minutos de confiança para dizer o que sabe. Nos detalhes, demonstra que nada passa despercebido pelos seus olhos, como brigas em velórios, familiares piadistas e, claro, o grupo que se reúne para conhecer o local. Maria pode não entender muito bem como funciona a dinâmica das visitas guiadas, que desde 2011 são comuns por ali, mas sabe que a proposta faz sucesso.
As inscrições para as visitas guiadas começam na segunda-feira anterior ao evento. Os participantes ficam atentos com os avisos prévios publicados na página oficial do Guia de Visitação ao Cemitério Municipal São Francisco de Paula. Ninguém quer perder seu lugar no grupo e a procura é alta. As visitas noturnas são as mais requisitadas, com vagas que esgotam em três minutos; as temáticas e tradicionais não possuem esse boom, mas fecham as vagas antes do dia da visita chegar.
No dia dela, aos poucos o grupo começa a se formar na entrada da Praça João Sotto Maior, no bairro São Francisco, em Curitiba. A aglomeração acontece quase em frente ao portão do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, próximo ao portal “Cristo e Anjos”, do artista ítalo-curitibano Franco Giglio. A lógica do ponto de encontro se refere a um respeitoso distanciamento das capelas do cemitério. São três, sendo duas dispostas ao lado direito do portal e uma ao lado esquerdo. Entre o portal e as capelas, a cabine da Guarda Municipal e três floriculturas fazem o meio de campo. Descendo as escadas, bancos são dispostos em frente ao Serviço Funerário Municipal.

Legenda:
- Capela
- Capela
- Floricultura
- Floricultura
- Guarda Municipal
- Capela
- Floricultura
- Serviço Funerário Municipal/Departamento de Serviços Especiais da Pre- feitura de Curitiba
- Serviço Funerário Municipal (atendimento às famílias)
Entra Clarissa
Cerca de dez minutos antes do início da visita guiada, um rosto conhecido chega ao local. A campineira-curitibana Clarissa Grassi, 42 anos, pesquisadora de arte tumular, bacharel em Relações Públicas e, que vira noites pesquisando o que for preciso, é a guia do passeio. Alta, grande, com cabelos encaracolados castanho escuro na altura do ombro, a líder das vi- sitas guiadas “tem presença”, como se dizia. Nos sábados em que tem encontro marcado com os grupos, sente-se bem mais à vontade. Usa tênis, óculos escuros e o inseparável alto falante. Nessas horas, nem pensar sair de fininho e acender um cigarro – dependência com a qual se digladia faz anos. A figurinha carimbada do cemitério é cumprimentada mesmo pelos que não a conheciam, mas acharam incrível ligar a fotografia com a pessoa. Afinal, ouvir seu nome e ver seu rosto não é mistério, visto as inúmeras entrevistas dadas e palestras feitas com ela. Grassi é a fonte oficial quando o “Municipal” entra em pauta. No feriado de Finados, então, faz hora extra.
A comunicadora social formada pela Universidade Federal do Paraná, teve de lidar desde criança com a morte. O marco se deu quando perdeu a avó, Clara, e acompanhou todo o processo, desde o adoecimento até velório e sepultamento. A paixão por cemitérios existia desde a infância, na cidade de Campinas, quando uma Clarissa ainda de chiquinhas passeava por horas descobrindo o local. Para ela, era uma maneira de sair do barulho das cidades, e ia quando dava na telha: se estava feliz, triste, brava… não importava.
A oportunidade de lidar com os espaços mortuários nasceu indiretamente, quando começou a trabalhar como relações públicas e teve de fazer comunicação institucional para um cemitério particular. O interesse pelo tema era visto como exótico e até estranho pelos conhecidos. Junto do olho desconfiado vieram as piadinhas de salão e os apelidos clássicos, como “noiva cadáver”, “namorada do Chucky” e “guria do cemitério”. Mas não são problema, ela lida com naturalidade. Quando ouve um chiste desse qualquer, ri com gosto; ninguém confronta sua excelência no assunto. Com um bom humor incomparável, une essa despretensão a sua personalidade expansiva, disposta a ensinar e que leva a informação de maneira simples e direta para quem a ouve. A “RP dos mortos”, outro de seus títulos, consegue manter facilmente uma conversa por mais de meia hora sem parar sobre qualquer assunto, desde bandas de Metal dos anos 70 até a previsão do tempo.
Ritual
Sem delongas, às 9 horas de sábado, a visita precisa começar. Dependendo das capelas ocupadas e do andamento dos velórios, a guia concentra seu grupo de um lado do ponto inicial, na praça em frente. Clarissa começa contando sua trajetória e como as visitas se deram, sem falar diretamente os detalhes dos perrengues que enfrentou para chegar até ali. Quando a sós, ela explica com pingos nos is a sua saga desde a produção dos livros sobre o cemitério, o mestrado em Sociologia, a efetivação do emprego na Prefeitura Municipal de Curitiba até chegar, em 2019, finalmente, no posto de diretora do Departamento de Serviços Especiais, como ela mesma diz, chefe de quem cuida dos seus “mortinhos”.

Mesmo que cada volta pelo cemitério se repita no ritual mensal, a guia vê nas quadras e ruas mais uma chance de aprender o que ainda não sabe. Até mesmo caminhando com o grupo atento, consegue encontrar algum detalhe que dará pano para a manga. Durante a visita temática sobre epitáfios – os escritos deixados nos túmulos –, Clarissa não lê somente os dados que anotou no seu celular. Ela organiza, mas também improvisa. Quando questionada se nessas listas há um túmulo favorito, nega. Para ela, é injusto escolher um dentre todos. É quase como perguntar para uma mãe se há um filho favorito.
Os trajetos são pensados para que ninguém disperse ou canse durante a caminhada. Caso canse, rapidamente pode encontrar os bancos de madeira no meio do cemitério, em pracinhas arborizadas. As melhores escolhas vão sendo lapidadas conforme mais visitas vão acontecendo. Um ou outro não tem tanta paciência assim para as três horas de visita, sendo que um terço desse tempo é de palestra, um passo inicial para que ninguém entre no cemitério sem saber onde está pisando. Clarissa não culpa os que não se agradam tanto assim com a proposta. Ela sabe que os expedientes precisam ser aprimorados, caminhos precisam ser revistos, literalmente falando. A cada ano, as visitas recebem novos rumos, novos temas e novas montagens conforme os insights da idealizadora
A história começa
“Semana que vem é Dia do Jornalista. Por que não fazer?”
Foi assim que aconteceu, em abril de 2019, uma visita guiada sobre jornalistas e escritores. Garanti minha vaga para esse dia. Fica mais claro ainda que os temas atraem conforme convém ao público; há quem participe também por resolução de luto, curiosidade em entender a si mesmo ou para refletir sobre as relações com a morte. Nada passa por alto para Clarissa: ela, que já fez parte das comemorações do Dia de Los Muertos no México (o momento era a Disney dela, brincadeira que aceita numa boa), sabe bem identificar os detalhes que tornam a mor- te um caminho não tão escuro assim. Um beija-flor descuidado acabou atropelando o guarda-chuva usado pelo meu namorado, Paulo Berbeka, num dia de sol na visita. Grassi, de prontidão, respondeu: “Isso significa que um mortinho seu veio avisar que está tudo bem.” Todos adoraram.
A experiência para falar do cemitério não fica apenas ali dentro. É necessário entender também o que traz os visitantes até ali. Com a dúvida em mente, dois questionários foram feitos e aplicados online, perguntando os impactos da visita, o que o participante mais gostou e a relação dele com o espaço. A recepção foi boa, com mais de 300 respostas somando as duas pesquisas, além de inúmeros desejos de “boa sorte” e “boa pesquisa” no final dos formulários. Um deles obteve resposta de que, quem vem, costuma voltar e, se não volta, repassa positivamente o que gostou. A maioria dos visitantes que costumam aparecer nessas ocasiões faz o passeio pela primeira vez e sem a menor ideia do que vai acontecer. Uns quebram tabus, outros fazem companhia para um amigo, mas todos com o mesmo sentimento: a curiosidade.
O que te traz ao cemitério?
Se a fé move montanhas, a curiosidade move o ser humano. Numa pesquisa realizada para entender o que levava os visitantes ao cemitério, a maioria dos 308 respondentes disse que foi ao passeio para sanar a curiosidade. Sentimentos que variam de superação de preconceitos sobre o espaço até aquela pergunta de “por que não ir?”, também fazem parte do hall de justificativas dos presentes. Cemitérios como o Père-Lachaise na França e o da Recoleta na Argentina, que atraem pessoas do mundo todo que desejam conhecer mais sobre a estrutura das necrópoles, servem de parâmetro para a visita ao Municipal curitibano; quem quer se admirar com tipologia tumular sem precisar atravessar o oceano, tem programa garantido.
No Cemitério Municipal São Francisco de Paula, quem ouve falar das visitas aparece para saber mais da história dos falecidos e da própria Curitiba, que cresceu junto desse campo santo. Histórias que vão desde os populares ervateiros e políticos até figuras “comuns” cativam quem passa por ali. A trajetória de figuras como representantes da Sociedade Beneficente 13 de maio, instituição fundada em 1888 por ex-escravos recém-libertos após a Lei Áurea, marca a resistência negra; a de Marianna Coelho, explica como ela, precursora do feminismo no Brasil, elevou o movimento. Dentre tantas histórias, também se pode visitar o túmulo de Hugo Cini, das bebidas Cini, da famosa Gengibirra, delícia regional que os paranaenses conhecem tão bem.

Em questão de minutos, os formulários aplicados online contavam com dezenas de respostas. Os frequentadores das visitas mostram que não são ativos apenas na caminhada, mas sim no que se diz a respeito ao passeio. Além de inúmeros desejos de “boa pesquisa”, o pessoal deixou contato e quis ver esse trabalho aqui, hoje materializado, publicado.
Como numa conversa de amigos, quem respondia, sobretudo as mulheres, marcando presença em mais de 70% das respostas, contou um pouquinho da parte que mais gostou na visita. Se pudéssemos fazer um mural com as palavras mais usadas, poderíamos colocar: história, arte, arquitetura, Curitiba e, também, Clarissa.
A visita é vista como uma atração turística para os visitantes. Ver capivara no Barigui, andar no ônibus verde de turismo e almoçar em Santa Felicidade entram no mesmo patamar de conhecer a pequena “cidade dos mortos”. Para o público, é um consenso: você sai do cemitério e aprende sobre a metrópole.
Você olha para um predinho e entende que a arquitetura dos vivos perdura no lote cemiterial. Se deparar com nome de rua, então, é fazer uma viagem na fala de Clarissa Grassi e relembrar a história do falecido que recebeu a homenagem.
Esses são pequenos efeitos causados pela visita. Outro deles é contar para todo mundo. Brincadeiras a parte, mas o “telefone-sem-fio” é o que mais instiga as inscrições. Luciana Fernandes, uma das visitantes, só ia em cemitérios em último caso. O lugar, sinônimo de arrepios, mudou de tom após participar da visita com uma amiga. “Ela me mostrou que o cemitério tem muita história”, contou, sendo mais uma que divulga o projeto e convida outros receosos. Falando em história, quem contou um pouco da própria experiência não deixou de lado as personalidades favoritas: Enedina Alves Marques, a primeira mulher a se formar em engenharia no Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil; e o Barão do Serro Azul, político e ervateiro paranaense, assassinado em 1894 na Serra do Mar, ganharam o coração dos visitantes.
A estrutura da visita é pensada para ser didática a qualquer pessoa, de qualquer faixa etária, independente da classe social. Mesmo que o maior público seja da galera jovem-adulta, dos 21 aos 40 anos, as crianças roubam a cena quando visitam. Elas se tornam as “ajudantes” de Clarissa, que torna a visita ainda mais lúdica com a presença dos pequenos. Desde o papel das velas até a participação do cristianismo na construção da cultura da morte, com direito a caras e bocas para ambientalizar os pre- sentes às épocas, Clarissa explica passo a passo, literalmente, o papel do cemitério na cidade. Os olhares atentos e a autoridade da guia no assunto são elementos que complementam a ideia. A satisfação com o passeio se mostra com a salva de palmas, sem aviso prévio, que a condutora da visita recebe, isso sem contar o sucesso da iniciativa e os comentários positivos na página oficial da visitação.
Diante das pesquisas com o público, a impressão é que o cemitério era como aquela pessoa que, na primeira impressão, não vamos com a cara por ela parecer desagradável. Por ironia do destino, a pessoa se torna sua amiga e vocês não sabem como aquela impressão existiu. Não que a pessoa visite o cemitério diariamente, mas há quem comece a visitar outros por conta das visitas guiadas, e a relação com o espaço muda.
O impacto é certeiro. Quem participa, leva no bolso alguma informação apreendida. O cemitério se torna um espaço que vai além da visão de morte e luto. O público, receptivo e mente aberta para entender o que mais o cemitério pode mostrar, ouve atento. Mais do que a preparação de passar filtro solar e colocar roupas confortáveis, o pessoal se prepara para algo que ainda não conhece.
Maria Bueno
Nas visitas-padrão, a primeira parada é o local onde devotos deixam seus pedidos, agradecimentos e preces mais desesperadas: o túmulo de Maria Bueno, milagreira curitibana que recebe dezenas de homenagens de quem recebeu graças. Os burburinhos entre os pares surgem elogiando a beleza da fé e lamentando o sentimento de impotência, quando ouvem que a morte da lavadeira é um feminicídio mal resolvido, sem muitos detalhes ou questionamentos. Maria foi morta por um homem, a quem não se chega num consenso se era namorado ou não, no final do século 19. Cortou-lhe uma veia do pescoço, ao saber que na noite anterior ela foi a uma festa na Sociedade Beneficente Operária. Ele era soldado.
Depois, contorna-se a primeira grande quadra, com cor- redores que se tornam largos e estreitos sem nenhum padrão específico, com o grupo repleto de olhares curiosos. O olhar se torna mais atento nas visitas noturnas quando, guiados pelas lanternas, os participantes descobrem o local da mesma forma que na visita tradicional, mas com o toque misterioso e típico de filme.

Conforme a caminhada, mais histórias vão surgindo. Logo nas quadras iniciais, o túmulo da família Meissner chama a atenção: há uma estátua de uma menina, com flores no vestidinho. A criança é Luci, que, numa traquinagem inocente, colheu flores do jardim recém-feito de sua mãe, colocou na barra do vestido e foi feliz da vida levá-las aos pais. Diante da atitude de “derreter o coração”, os pais nem sequer repreenderam a menina. Não passou muito tempo e Luci adoeceu e morreu, em 1895. Meses depois, em uma viagem à Europa, o pai dela mandou fazer uma estátua representando a menina com o vestido da barra florida. A cena ficou eternizada.
Outras estátuas, como a de Jesus com os “pequeninos” ou nos braços da Virgem Maria, fazem parte do conjunto de túmulos. Há até em tamanho real, como a de Pierino Riva, que morreu aos 21 anos e ganhou homenagem em bronze. Por ser filho único, a morte assolou ainda mais a família. O pai, José, fez questão de ir à Itália para encomendar a escultura, feita pelo artista Alberto Bazzoni.
Outra maneira de mostrar a saudade de quem se foi são os epitáfios, aquelas mensagens que não visam contar a história de quem morreu, mas sim o que aquela morte fez sentir. O clássico “saudades eternas” é o mais usado, mas os versos de Santo Agostinho e o Salmo 23, ou 22 em outras versões da Bíblia – “O Senhor é meu pastor”, também são bastante utilizados. Já o poeta Emiliano Perneta expõe a dor da saudade após a perda da mãe, Christina, falecida em 1886. A mensagem diz, na íntegra:
“Aqui, debaixo desta fria lousa, aqui, ó minha mai junto do teu, o meu ferido coração repousa, mudo e gelado como quem morreu.”
Assemelha-se a outros, do começo do século 20, que registram “tributo de amor conjugal” e até mesmo um que diz que quem está sepultado ali foi assassinado. Quando não há palavras, os objetos falam. Depois da cruz das almas, na parte mais “nova” do cemitério encontra-se um jazigo com ladrilhos vermelho e preto. A morada eterna ali é de um atleticano apaixonado pelo rubro-negro paranaense. Há, também, túmulos como do compositor Augusto Stresser (1871-1918), que possui uma placa simbolizando seu amor pela música.
Cada um com seu pesar. Assim permanece a lembrança dos que se foram.

Durante o trajeto, o silêncio se faz necessário para uma experiência agradável a todos, mas calar não é uma regra inquebrável; pode-se perguntar, apontar ou contar algo, sem represálias. O formato interativo permite que o espaço seja melhor aproveitado e desmistificado, podendo sanar a curiosidade ali mesmo.
De janeiro até julho de 2019, mais de mil pessoas haviam participado das visitas. A disseminação agora é mais fácil com as redes sociais, principalmente pelo Facebook, no qual a visitação possui até página própria. Nela, além do calendário completo, há fotos que registram cada turma que passou por lá, na frente do túmulo favorito do grupo.
No número total de visitantes, contabilizamos a educadora Macleise Araújo, parte de uma turma especial. As visitas guiadas fazem parte de catálogos educativos por meio da Prefeitura Municipal de Curitiba. Macleise, em específico, estava na Semana Pedagógica da Prefeitura quando passeou pelo Cemitério Municipal São Fran- cisco de Paula, junto com outros educadores.
Enquanto caminhava pelas ruas despadronizadas da “cidade dos mortos”, viu todo o seu conhecimento de Ensino Religioso ser reinventado e revigorado. Outras turmas como de guardas municipais, políticos, profissionais da saúde e outros funcionários públicos também fazem check-in no local. A visita, para esses profissionais, funciona ainda mais como uma maneira de capacitação e aprendizado sobre uma Curitiba do tempo em que muitos nem sequer tinham nascido. Ah, é claro que os grupos não ficam de fora da tradicional foto de fim de tour.
Histórias sem assombração
Histórias não faltam durante a visita. Depois dela, nem se fala. Não tem nada a ver com assombração, fantasma ou qualquer ser sobrenatural, mas sim com um despertar pessoal em quem participa. Andressa Busmeyer, pedagoga, foi até procurar o túmulo da família, diante da inspiração após a visita; Mariane Baggio, química, faz questão de passear por cemitérios toda vez que viaja; Pedro Macedo, estudante de Jornalismo, participou da visita para uma matéria da faculdade e saiu de lá sabendo que até no cemitério há divisão social – o lado dos ricos e o dos pobres; a maioria que respondeu à pesquisa cita como ponto alto descobrir a história de Curitiba e ser levado diretamente, década por década, e ver cada pedaço da explicação da Clarissa se reinventar nos corredores.
Além do objetivo de mostrar que não há nada sobrenatural no cemitério e desmistificar a figura sombria do ambiente, outra função das visitas guiadas é ensinar. O cemitério público mais antigo de Curitiba é responsável por colaborar com a maneira de repensar a morte e o morrer. As certezas podem ser confrontadas a cada quadra, quando o novo, mesmo em túmulos com mais de 50 anos, é apresentado. A cultura ocidental e os ciclos arquitetônicos podem ser reparados em cada túmulo, conforme os ícones utilizados nas imagens, pequenos adornos e estátuas.
É possível ver a cidade antiga de Curitiba ir se revelando até chegar ao estilo mais contemporâneo dos túmulos verticalizados, que representam, assim, a tendência de prédios na parte “dos vivos” da capital paranaense.




jÁ FAZ 7 MESES QUE ENTREI COM UM PROCESSO PARA TIRAR O AZULEJO QUE REVESTE O TUMULO DA MINHA FAMÍLIA E COLOCAR OUTRO MAIS BONITO.DESDE 4 DE NOVEMBRO DE 2021 E JA ESTAMOS NO DIA 6 DE JUNHO DE 2022. pORQUE A DEMORA SE ME GARANTIRAM QUE EM TRES MESES EU TERIA UMA RESPOSTA. qUE TAL DEIXAR OS MORTOS EM PAZ E PENSAR NOS VIVOS QUE ESPERAM UMA RESPOSTA DO SERVIÇO PÚBLICO.