Os principais partidos da esquerda fizeram nesta segunda-feira (11) um almoço para tentar aproximar o grupo que, em tese, pode ir unido na eleição do ano que vem. Tinha de tudo um pouco: desde a deputada Carol Dartora (PT), até Luciano Ducci (PSB), passando por Goura (PDT). Também tinha muita gente sem mandato mas com influência, caso de Martin Esteche, coordenador do mandato de Gleisi Hoffmann, presidente do PT nacional.
A ideia básica não é nova: repetir em Curitiba a frente ampla que levou à eleição de Lula no ano passado. A diferença é que não há ninguém com cara de Lula no grupo – no caso do cenário nacional, era evidente desde o primeiro momento quem era o candidato, e restava ver quem topava ir junto. Aqui, não. Todo mundo acha que é o candidato, o que dificulta a negociação.
Há no mínimo três deputados com pretensão de encabeçar a chapa e todos têm bons argumentos. Luciano Ducci já foi prefeito e, por ser o mais moderado (até difícil dizer que seja de esquerda) certamente enfrentaria menos rejeição. Sua candidatura, pelo menos em um aspecto (e talvez só nesse) seria parecida com a de Gustavo Fruet em 2012: um jeito de a esquerda conseguir uma vitória em Curitiba colocando um nome de centro para dar aquele ar de bom-mocismo na campanha.

Carol Dartora é um fenômeno. Ninguém esperava a votação que ela fez para vereadora. Depois, ninguém acreditava que ela se elegeria deputada, e se elegeu fácil. Difícil dizer qual é o teto dela. E, claro, para diversos setores (sindicatos, professoras, movimentos sociais) é evidente que a candidatura dela faz brilhar os olhos. Mas a resistência também é muito maior, por mais de um motivo – entre eles, o fato de ser mulher e negra.
Goura tem o argumento do segundo lugar na eleição passada. Certo, foi uma eleição sem muitos candidatos, e a candidatura dele atraiu votos da esquerda meio que por gravidade. Mas mesmo assim, não há como negar que foi um bom resultado e que o moço tem carisma. Ponto contra: o PDT oscila entre a fragilidade e a bagunça em Curitiba.
Por enquanto, diz um dos convidados da festa, se fosse pelas pesquisas internas, o candidato seria Ducci. Claro que isso faz muita gente torcer o nariz: embora tenha tido posturas mais progressistas em alguns temas,m como a discussão da cannabis medicial no Congresso, Ducci ainda carrega a marca da vice de Beto Richa (PSDB), um sujeito que antes do bolsonarismo seria a própria definição da persona non grata para o sindicalismo local.
Além dos já citados, estiveram presentes no encontro Angelo Vanhoni, Professora Josete, Dione Garcia e Edilonson de Oliveira, do PT Curitiba; Gabriel Feltrin e Giana de Marco, do PSOL; Rafael Sallet e Elton Barz, do PCdoB; e Raphael Rolim, do PV.


Galindo, todos nos sabemos que a maioria dos eleitores de Curitiba votam na Direita mas a Direita curitibana esta “lentamente” ficando mais consciente politicamente. E, Dartora, negra e mulher, vai levar a maioria dos votos, pelo menos dos mais conscientes curitibanos,
Tem que ser Dartora, gente. A mulher sempre surpreende nos votos, é carismática, vai levar com ela um povo que nunca se animou com eleição municipal. Agora, se querem perder de novo, bora de Ducci/Goura.
Neste parágrafo :”A ideia básica não é nova:(…)” será mesmo que a diferença apontada é de fato o fator mais relevante a ser destacado? E não me refiro apenas à matéria, obviamente, mas ao debate que ela pode provocar. Numa dessas seja exatamente o contrário. Afinal, há agentes políticos, ali, presentes na reunião (e o nome do Martin Esteche foi muito bem indicado, mas, tem bem mais potencial por ali, hein?) que certamente carregam pontos e influências significativas ao alcance de um elemento que também me parece ter faltado no texto: estes grupos e partidos MUITO PROVAVELMENTE sejam os únicos capazes de articular boa parte da sociedade (mediante organizações civis, principalmente, mas não apenas) ao ponto de provocar um segundo turno, primeiramente, e logo em seguida uma bem-vinda virada num segundo. Não?