Lugar de homem é na cozinha – e isso fez história  

Não poucos cresceram ouvindo coisas supostamente definitivas, embora absurdas, tipo o destino da mulher se limita ao espaço destinado ao fogão e panelas

A revista Aventuras na História desta semana, publicação da Editora Caras, é pra ler e recomendar – a começar pela matéria de Lincoln Seco, que aborda a Revolução dos Cravos, em 1974, com grandes manifestações nas ruas. E cita um episódio, com mulheres pedindo liberdade e entoando em conjunto uma das estrofes mais feministas da história: “Homens na cozinha!”.  

E sobre o machismo implacável, vale lembrar, sempre, Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente do Brasil, eleita no primeiro turno das eleições, com o voto de mais de 47 milhões de brasileiros. Dilma Vana Rousseff, economista, filiada ao Partido dos Trabalhadores, exerceu o cargo até ser alvo de um golpe que resultou em impeachment. Mulher presidente e ainda do PT? Algo inadmissível para os canalhas de ontem e de hoje.  

Uma ameaça constante 

Já o assunto de capa da revista ISTOÉ, outra publicação semanal igualmente recomendável, destaca os atentados e a nova onda dos radicais na política, pondo em risco a campanha eleitoral rumo ao Planalto. E temos, em artigo assinado pelo escritor e cronista Mentor Neto, com o título A democracia está ameaçada, precisamos “mais do que justificativas para defender o processo eleitoral com a mesma eficiência dos ataques impostos pelo governo”. 

O texto começa com uma antiga entrevista de Bolsonaro ao programa Câmera Aberta, em 1999 (isso mesmo, 23 anos atrás). Transcrevo: ainda político iniciante, afirmou: 

Se eu fosse presidente da República daria golpe no mesmo dia!  

É assim que pensava Bolsonaro. É preciso ser muito distraído para não perceber que nada mudou de 1999 para cá. 

Vale citar Winston Churchill: 

A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.  

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