Invisibilizados: indígenas viram "pardos" nas cadeias do Paraná

Quando presos, indígenas são privados de direitos básicos e desaparecem no sistema carcerário do país

Foto: Giorgia Prates

Reportagem e roteiro: Cecília Zarpelon

A descaracterização étnica e o subsequente desaparecimento dos dados oficiais são parte de um sistema de invisibilização e violação de direitos dos povos originários dentro do sistema carcerário do Brasil.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Violação de direitos Para especialistas na área, entre os principais problemas identificados pelos indígenas submetidos ao estado estão a não identificação correta, a falta de intérpretes e a incompreensão das especificidades culturais.

Foto: Pixabay

Tudo isso acarreta em uma subnotificação de casos de indígenas encarcerados, que, por sua vez, mascara a real dimensão do cenário.

Foto: Pixabay

Dados No Paraná, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), são 32.657 pessoas presas, das quais apenas 14 (0,06%) são identificadas como indígenas. Já pessoas pardas são 7.950 (36,18%).

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Conforme o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil“, em setembro de 2021 havia 1.038 pessoas indígenas presas no país. No Paraná, constavam 14 pessoas presas, 13 homens e uma mulher, mas sem dados sobre o povo pertencente e a língua falada por cada um.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O caso de Pedro* Foi apenas depois de dois anos sem nenhuma notícia que a família de Pedro*, indígena Kaingang de Rio das Cobras, no norte do Paraná, soube que ele havia sido preso.

Foto: Reprodução/Instituto Socioambiental

*Pseudônimo

Além de ter atravessado o processo criminal sem entender português e sem intérprete, Pedro passou a ter a identidade nos documentos oficiais classificada como “parda”.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil